Edição de 18 a 21 de agosto.

Especial

"DOSSIÊ FÉLIX"

ÚLTIMA NOTÍCIA - O juiz de Direito de Catanduva não acatou o pedido de liminar solicitada pelo promotor José Carlos Rodrigues de Souza. A decisão saiu na sexta-feira. Segundo o juiz, o pedido só seria aceito se houvesse perigo imediato de dano ao erário. E para ele, isso não ocorre. Por outro lado, o juiz aceitou a denúncia e dará início ao processo que irá julgar o prefeito e os demais acusados. O prefeito Félix comemorou a decisão do juiz.

Apresentamos ao leitor de Último Momento todos os detalhes da denúncia do promotor José Carlos Rodrigues de Souza.

A repercussão na cidade.

O posicionamento de cada vereador.

As irregularidades apontadas no processo.

O nome dos envolvidos.

A defesa do prefeito. Ele acusa perseguição.

O desafio de Último Momento: o prefeito responderia às perguntas de nossa reportagem? Teria ele......coragem?

As últimas notícias - Juiz não acata pedido de liminar.

Enfim, tudo o que o leitor gostaria de saber sobre o caso que abalou as estruturas do poder catanduvense. E como não poderia deixar de ser, você encontra toda a história aqui em Último Momento - o site de notícias catanduvenses.

Pode imprimir que todo o material é inédito.

Editorial

Amigos de Último Momento.

Hoje, sábado, nós publicamos uma edição especial de nosso site. Trata exclusivamente das denúncias apontadas pelo promotor de Justiça José Carlos Rodrigues de Souza contra a administração de Félix Sahão Jr. Alguns de nossos leitores acharão o assunto enfadonho, cansativo e até repetitivo. Para estes, nós pedimos desculpas e prometemos que na quarta-feira, 22, nossa atualização trará de volta as notícias cotidianas catanduvenses. Porém, uma grande parcela de nossos eleitores ainda está se perguntando sobre o que trata a denúncia apresentada pelo promotor José Carlos contra o prefeito Félix. E esperam de Último Momento a revelação do conteúdo da ação, suas repercussões e as novidades sobre o caso. Para que pudéssemos atender a esta expectativas, estivemos pessoalmente em Catanduva na quinta-feira, 16, e desde as primeiras horas da manhã mantivemos diversos contatos. Conseguimos a cópia do dossiê e a lemos repetidas vezes. Conversamos com vereadores, com assessores, e pessoas que acompanham a política na cidade.

Chegamos a uma conclusão. A tropa de choque do prefeito - leia-se vereadores e jornais da cidade - não deixarão que Félix apanhe sozinho. Muito pelo contrário. Agora, querem inverter as posições. Estão transformando o promotor em "parcial", "inimigo político", "suspeito" etc. Mas já pararam para pensar que o prefeito tem contra si vários volumes de um processo? Que o promotor ouviu testemunhas, juntou provas, perícias e documentos? A mesa do promotor está forrada com todos os volumes que apontam uma improbidade administrativa de Félix. Será que a Justiça irá ficar surda a tudo isso?

ARLINDO GUTEMBERG ESTARÁ NA QUARTA-FEIRA, 22. ELE FAZ PARTE DA TROPA DE CHOQUE PRÓ-FÉLIX. SEU SLOGAN: "DEFENDAM OS NOSSOS PROFESSORES."

Espero que gostem de nosso material. Esperamos receber e-mail através de nosso endereço eletrônico: ultimomomento@bol.com.br

Boa leitura.

Arthur Godoy Júnior (Último Momento)


Os acusados

Na denúncia apresentada pelo promotor ele qualifica todos os envolvidos como réus. Último Momento vai citá-los como acusados. Acatada a denúncia pelo MM. Juiz, aí serão réus. Devidamente processados e condenados, serão condenados. Assim, não cometeremos injustiças. A relação de todos os acusados:

Félix Sahão Jr., Elisabeth Sahão, Ana Paula Carnelossi, Augusto de Carvalho Quelhas.

Edson Andrella.

Cosan Engenharia e Construção Ltda.

Adalgisa Luzia Paulatti, Alex Tomazini, Daniela Soares Burgueira, Caio Marcelo Bastos Martani, Antônio Carlos Salatine, Edson Martin Centurion, José da Penha Menezes, Emerson Aparecido da Silva, José Roberto Batista, Leandro Alves de Oliveira, Sérgio Nelson Ribeiro da Silva, Sônia Aparecida da Graça, Sebastião de Souza Rego, Willians Carlino da Costa, Valéria Pet Gardiano, Laiér Pereira da Silva, Sérgio Ninno de Carvalho, Maria Teresa Vilela Nogueira Abdo, Elias Antônio Andraus, Ariovaldo Soriano de Castro.

Rubens Rodrigues de Oliveira.

Construtora H. Figueiredo Ltda.

Horácio da Silva Figueiredo.

Sindicato dos Metalúrgicos

Nilton Marto Vieira da Cruz.

A IMPRENSA NO BOLSO

".....As co-rés (Beth e Ana Paula), verificando que o prefeito ainda sofria pelo meio como alcançou o poder, via judicial e não eletiva, especialmente pelas constantes críticas produzidas por jornais da cidade, passaram a engendrar meio para que a situação fosse alterada".

"A contratação da empresa UP! foi realizada após prévio processo licitatório, no qual não foi encontrada qualquer irregularidade".

"Como ainda havia a crítica constante nos jornais da cidade, presente se fez a necessidade de controlar o que era divulgado, o que ensejou na troca de favores entre a municipalidade por meio da agência e os veiculos de comunicação".

".....e na busca de maior divulgação, somaram ao grupo o ex-assessor de comunicação da campanha do adversário nas eleições passadas....Augusto Quelhas...".

"Montado o quadro, criaram um periódico que tinha como finalidade declarada divulgar os atos de governo e as realizações da administração, contudo, sempre dirigidos pela ânsia da boa imagem, passaram a utilizar mencionado periódico para divulgar a imagem do prefeito..."

"....ao longo de vários meses a Administração suportou o custo de produzir períódico que se destinava a divulgar a imagem do sr. prefeito Félix.......e que, agora, na direção, usava o dinheiro público para atender aos seus interesses de auto promoção."

"Na esteira de Félix, Beth, a chefe de gabinete, passou a figurar em inúmeros periódicos, quase sempre na primeira página..."

"Os valores destinados a propaganda e promoção pessoal não mais se limitavam aFélix, alcançando também sua irmã e chefe de gabinete, Beth Sahão".

"Chegou o requerido Félix a promover a inauguração da substituição dos elevadores do prédio central, colocando em ambos, placa comemorativa com seu nome e sua logomarca expressos, produzindo ainda, festejos com lançamento de fogos, faltando apenas a banda".

"....sentindo que o periódico não atendia plenamente ao interesse de autopromoção, e ainda expunha todos a risco, adotaram outra via, mas eficaz e ardilosa para alcançar o intento".

"Pois bem, por meio dessa agência de publicidade os réus passaram a controlar os meios de comunicação.....".

"O controle dos meios de comunicação era efetuado da maneira mais sórdida, com a destinação de maior ou menor valores para aqueles que atendiam aos interesses da administração".

"....os réus Félix, Beth, Paula e Guy determinavam que a agência de publicidade UP! direcionasse matérias para empresas, como as ligadas aos que se convencionou chamar Grupo Gerson Gabas, realizando até 2000 inserções extremamente elevadas em rádio do grupo".

"A assessoria de comunicação, ao efetuar a determinação de propaganda já discriminava não apenas o veículo, mas também, a quantidade de inserções a serem realizadas e o que deveria ser feito, restando à agência apenas formalizar a atividade desenvolvida pela administração".

"No mesmo tempo em que as rádios e a televisão eram contempladas com grande volume de propaganda, os jornais passaram a receber a mesma graça".

".......a Realce Empresa.....que edita......O Jornal contou com valores inferiores aos destinados ao O Regional......o que foi, com o tempo, invertendo, alcançando "O Jornal" grandes valores mensais.".

"Preocupados com o excesso de propaganda e com a Lei de Responsabilidade Fiscal que se avizinhava, os réus adotaram novo método para atender aos seus interesses, sempre com custeio do dinheiro público".

".......os réus produziram várias matérias que tinham aparência jornalística, sendo assim publicadas nos jornais, contudo, na verdade, eram Merchandising....os réus não se furtaram a expedir ordens de serviço, onde de modo expresso, consignavam que era produzir Merchandising..."

"....apesar da matéria ter caráter jornalístico, na verdade, era integralmente pela agência, que a enviava pronta e acabada para o periódico, apenas para publicação, repita-se, como matéria jornalística fosse. Até as provas dos periódicos , antes de serem submetidos à tiragem, eram previamente avaliados pelo grupo dirigido pelo prefeito".

"....estavam submetidas aos réus, outras, como a revista Multi, a Gazeta Popular e até mesmo detentores de colunas, como Jurandir que escrevia o "Catandrops", passaram a receber benefícios da administração. Aliás, quanto a Jurandir, vale apontar que deixou de escrever a coluna, de constante crítica ao prefeito Félix, e assumiu cargo de assessoria, como homem de confiança".

"Em resumo os réus, sempre orquestrados pelo alcaide, se encarregavam de distribuir os recursos públicos para calar os que não lhes eram agradáveis buscando, quando possível, colher elogios daqueles que os criticavam, mesmo que tais recursos fossem necessários".

"No O Jornal, como relata Gustavo Vertoni.....as matérias encomendadas pelos réus eram publicadas no espaço conhecido como caderno de bairros, sempre com caráter jornalístico, mas na verdade de promoção da administração, o que ocorreu, inclusive, nos dias que antecederam ao pleito para a reeleição de 2000."

"Em Julho de 1999, Ana Paula Carnelossi, Secretária de Finanças e Presidenta do Partido dos Trabalhadores, aprovou pesquisa a ser realizada pelo Ibope, de caráter nitidamente político, visando aferir os ganhos do sr. prefeito com os investimentos realizados em sua imagem, devendo contudo, o custo ser pago com verba pública, a ser obtida após emissão de nota fiscal do "O Jornal" para a agência UP!".

".....os réus chegaram ao ponto de determinar que notas fossem expedidas com datas irregulares e até mesmo cancelar aquelas não seguiam às determinações da direção co grupo constituído para o bem do prefeito".

AS IRREGULARIDADES DO IPMC

"Mas Félix, o guerreiro de outrora, não se limitava a ofender a legalidade com o uso de recursos para sua promoção pessoal, outras irregularidades logrou cometer".

"No ano de 1999 sancionou projeto de Lei Complementar que dispunha sobre o sistema de Previdência dos Municipiários de Catanduva, custeado pela contribuição da Prefeitura, suas Autarquias e Câmara Municipal, devendo ser repassada a verba até o dia 15 de cada mês, sob pena de responsabilidade...."

".....a prefeitura administrada por Félix não efetuou corretamente o repasse de verba, e quando o fez, não providenciou a correção monetária...".

"....o senhor prefeito ainda deixou de recolher aos cofres do IPMC, além da contribuição de responsabilidade da prefeitura, os valores referentes às contribuições dos funcionários, descontados mensalmente em folha de pagamento perfazendo um total de R$ 3.386,516,14 (três millhões trezentos e oitenta e seis mil, quinhentos e sessenta e um reis e catorze centavos".

"....a contribuição dos funcionários já fora descontada na folha de pagamento, somente não ocorrendo o repasse ao IPMC, por parte aa prefeitura que a reservou para seus gastos, como se o dinheiro lhe pertencesse..."

"...não suficiente o não pagamento de sua parcela, a administração de Félix ainda retinha a parcela dos servidores descontada da folha de pagamento, que ficava na posse da administração apenas como arrecadadora e não como proprietária".

".....também o diretor do Instituto, Edson Andrella, nomeado pelo prefeito Félix, optou por vilipendiá-la, quedando-se inerte, deixando de promover medidas para a retenção das contribuições da prefeituras e dos funcionários....".

"A esse impunha-se a obrigação de proteger os recursos do Instituto que administra, mesmo que contrariando quem o escolheu, e por sua omissão, deve ser responsabilizado, vez que a eficiência, a legalidade e a razoabolidade no proceder com a coisa pública, príncipios que deve observar, acabaram ofendidos".

A HISTÓRIA DA COSAN

"No ano de 1998, por meio de licitação, modalidade convite, contratou a empresa Cosasn CatanduvaEng. e Construção Ltda para realizar a construção de 5.000 m2 de calçada em concreto.....pelo preço de R$ 54.239,00 (cinquenta e quatro mil, duzentos e trinta e nove reais".

"...já no ano seguinte, nova licitação, que se destinava a finalidade idêntica, ou seja, execução de construção de 5.000 m2. de calçada em concreto....pelo preço de R$ 84.000,00 (Oitenta e Quatro Mil Reais). ".

"Em ambos os procedimentos licitatórios, a ré Cosan foi vencedora, contudo com variação não justificada de preço...."

"A diferença existente entre as duas licitações, em especial pelo curto espaço de tempo, oito meses evidencia injusta elevação no custo da obra pública...".

"Ultrapassado o valor estimado pelo orçamento, cabia à administração efetuar nova licitação e não conformar-se como fez...".

AMIGOS SÃO COISAS PRA SE GUARDAR

Abaixo, a relação de citados, suas qualificações e os cargos que ocupam ou ocuparam:

"Adalgisa - cantora: assessoria especial na assessoria de comunicação".

"Alex Tomazini - bacharel em direito: contratos dos computadores da prefeitura.

"Daniela Soares Burgueira - atriz: agenda reuniões, secretária".

"Caio Martani - administrador rural: assessor especial no bosque".

"Antônio Carlos Salatine - Médico: assessor técnico na secretaria da habitação".

"Edson Barrionuevo - técnico em contabilidade: assessor aposentado, comissionado para desenvolver a mesma função".

"José da Penha - técnico eletrônico: assessor técnico para a montagem de aparelhos de som nos eventos.

"Emerson Aparecido- técnico em secretariado: assessor técnico na função de secretário de junta de serviço militar.

"José Roberto Batista - corretor de imóveis: assessor técnico coleta pessoas interessadas em realizar financiamento para efetivação de asfalto".

"Leandro Alves de Oliveira - professor de matemática: assessor que efetua a manutenção de computadores. Foi demitido".

"Sérgio Nelson Ribeiro da Silva - professor aposentado: assessor técnico".

"Sônia Aparecida da Graça - escriturária: assessora técnica que trabalha como secretária".

"Sebastião de Souza Rego - técnico em contabilidade: assessor técnico lotadl no departamento do meio ambiente"

"Willians Carlino - professor: trabalhava em O Jornal produzindo matérias. Foi nomeado como assessor ténico no fundo de solidariedade".

"Valéria Pet Gardiano - pedagoga: assessora da primeira dama".

"Laiér Pereira da Silva - técnico em contabilidade: assesssor técnico aposentado desde 1988.

"Sérgio Ninno de Carvalho - comerciante: assessor técnico do departamento de recursos humanos. "

"Maria Tereza Vilela Abdo - engenheira: assessora técnica no departamento de meio ambiente.

"Elias Antônio Andraus - técnólogo mecânico: assessor ténico na área de esportes.

"Ariovaldo Soriano de Castro - psicólogo: assessor especial que já trabalhou em outros governos petistas.

MARITACA E A VIAGEM

Na denúncia apresentada pelo promotor, ele informa a respeito de uma viagem realizada pelo então diretor Rubens de Oliveira, também conhecido como "Maritaca". Em 27 de novembro de 1997 ele viajou para São Paulo, retirando dos cofres municipais a quantia de R$ 300,00. Na prestação de contas surgiram irregularidades como:

- Numa mesma noite ele dormiu em dois lugares diferentes.

- No dia 27 ele abasteceu em São Paulo, no dia 28 em Sumaré e no mesmo dia 28 em São Paulo. Ou seja, no meio do caminho da volte ele retornou a São Paulo para abastecer o carro.

- Comparando com os blocos originais de notas foram encontradas adulterações nas notas fiscais apresentadas.

- No dia em que estaria em São Paulo, 27, apresentou uma nota de alimentação da cidade de São Carlos.

- Notas de estacionamento com números seqüenciais.

CONJUNTO HABITACIONAL E HORÁCIO

O conjunto Habitacional Theodoro Rosa Filho, que está em sua fase final, volta a ser alvo de denúncias. Entre elas, estão estas:

- A prefeitura se dispôs a ajudar financeiramente uma obra de interesse do presidente da Câmara, Horácio Figueiredo, e sua construtora H. Figueiredo.

- Utilizou-se também o Sindicato dos Metalúrgicos, sem este ter tido na cidade qualquer caráter social até o momento.

- Foram providenciadas ajudas financeiras para o empreendimento antes mesmo da autorização da Câmara Municipal, o que iria acontecer seis meses depois. E o presidente da Câmara, na oportunidade, era justamente Horácio Figueiredo.

- A área do terreno era de Horácio. Inclusive, já existe investigação a respeito de possível sonegação de impostos. Pagou-se R$ 300 mil, recolheram-se impostos sobre R$ 17 mil.

- A área nobre do terreno (por onde está passando a continuação da avenida São Domingos) ficou com Horácio Figueiredo. A área mais distante foi destinada às pessoas que adquiram o lote por R$ 800,00.

"Diante desses fatos tínhamos que os réus Félix, Horácio e sua construtora, haviam apenas ofendido à moralidade e a finalidade, já que o projeto de lei e as autorizações para assumir encargos do loteamento eram dirigidas para atender interesse particular, não público".

- As pessoas que estão pagando por suas casas não receberam qualquer vantagem direta desta ajuda da prefeitura. Os valores são os mesmos se a obra fosse estritamente particular.

NILTON MARTO E SUA EMPRESA

O secretário de Obras, Nilton Marto, também é citado no processo. Inclusive, como um dos acusados. Veja as principais denúncias:

"O sr. secretário de obras, Nilton Marto, é proprietário da empresa Ambiente Paisagismo, a mesma que foi contratada para efetuar o trabalho de arborização no loteamento do sindicato".

"Ocorre que essa empresa foi apontada, pelo vereador Marcos Crippa, como sendo a realizadora de serviço semelhante no distrito industrial IV, da Prefeitura".

- Em 1998 a prefeitura iniciou licitação para contratar empresa para efetuar obras em tal distrito. Venceu a JR Santa Fé Pavimentação e Construções Ltda. O secretário ao solicitar a abertura de licitação, apontou a necessidade de, entre outras obras, efetuar o plantio de grama de taludes.

- Uma empresa apresentou o menor preço (Caso), mas mesmo assim a prefeitura deu como vitoriosa a JR - Santa Fé.

- Nilton Marto, através de sua empresa, prestou serviço para a JR. vencedora da licitação. A prefeitura através de seus departamentos responsáveis havia argumentado que a transferência de serviços não era o melhor meio de se realizar uma obra. Era contra a sub-empresa. Exatamente o que teria feito o secretário.

"Há nos autos, por fim, notícia de que a empresa de Nilton também teria efetuado o serviço de paisagismo na praça da República, uma das grandes obras do governo Félix".

"Diretamente não foi firmado com a Municipalidade e a Ambiente, do sr. Secretário, qualquer contrato, contudo, o meio utilizado, sub-empreita, ofende ao espírito do legislador municipal que pretendeu afastar o município das influências que poderiam ser geradas por servidor interessado em prestar serviços ou fornecer produtos".

O QUE PEDE O PROMOTOR?

O promotor José Carlos Rodrigues de Souza pede, após 88 páginas de denúncias, além dos vários volumes do processo, o seguinte:

- Condenar Félix, Beth Ana Paula e Guy Quelhas a ressarcir ao tesouro municipal os valores correspondentes às propagandas irregularmente efetuadas, tanto nos folhetins da administração quanto nos jornais, rádios e TVs. Estes valores serão acrescidos de juros e correção monetária.

- Condenar Félix a ressarcir aos cofres públicos os valores pagos aos funcionários irregularmente contratados.

- Condenar Félix, Horácio e o Sindicato dos Metalúrgicos a ressarcir aos cofres do município os valores gastos com infra-estrutura para o loteamento Theodoro Rosa Filho.

- Aplicar a todos os acusados as sanções previstas no artigo 37, parágrafo 4º da Constituição Federal - "Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda de função pública, a indisponibilidade de bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível".

- Condenar a Cosan ao pagamento de multa civel de até duas vezes o valor do serviço realizado e, em conjunto coma construtora H. Figueiredo, proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, pelo prazo de três a cinco anos.

- Declarar a nulidade do contrato de serviço prestado pela Cosan ao município, condenando a pessoa jurídica a ressarcir, solidariamente com o prefeito Félix o valor recebido.

- Declarar nulo os contratos de trabalhos celebrados entre o município de Catanduva e os servidores mencionados.

- Condenar o prefeito ao pagamento de valor correspondente ao dobro dos valores irregularmente gastos com propaganda e autopromoção e com os salários dos funcionários admitidos sem regular concurso, como danos morais causados ao ente público.

- Condenar Rubens Rodrigues de Oliviera a devolver o que gastou irregularmente.

- Proibir a logomarca da administração Félix Sahão, bem como proibir a veiculação de propaganda por veículo oficial ou particular, que contenha o nome ou a logomarca da administração Félix Sahão Jr. ou de seus assessores com intuito de autopromoção.

- Dá-se à causa o valor estimado de R$ 1.500,000,00 (Hum Milhão e Quinhentos Mil Reais).

A DEFESA DO PREFEITO

O prefeito Félix não recebe a reportagem de Último Momento. Mesmo assim, é nosso dever apresentar a resposta de Félix Sahão Jr. a respeito das denúncias do dossiê e que constam do processo movido pelo promotor. Colocamo-nos aqui, em público, a disposição de entrevistar o prefeito Félix em seu gabinete, para que possa ocupar o espaço que for necessário para se defender. Naturalmente, teria que responder as nossas perguntas. E elas são um pouquinho diferente daquelas da TVO, O Jornal e O Regional. Mas a defesa do prefeito - coletada em outros orgãos de informação - é essa:

- O prefeito Félix Sahão Jr. informa que todas as denúncias apresentadas pelo promotor já foram julgadas em outras oportunidades e ele foi absolvido em todas. Diz o prefeito que este dossiê nada mais é que "material requentado".

- O prefeito Félix acusa o promotor de o estar perseguindo, e ser um adversário político. "Já me perseguiu outras vezes".

- O prefeito nega que tenha usado a UP para autopromoção e a distribuição de verbas para as rádios, jornais e TV foram baseadas em dados técnicos.

- O prefeito Félix informou que vai processar o promotor, bem como acionar a Corregedoria do Ministério Público contra José Carlos Rodrigues de Souza.

- Diz que o promotor não usou a ética ao entregar o dossiê aos vereadores. "Tentou usar a Câmara contra minha pessoa".

- O prefeito diz que em sua administração não há qualquer irregularidade, e é pautada pela transparência e prestação de contas. Diz estar tranqüilo a respeito de todas estas denúncias.

ÚLTIMO MOMENTO ABRE O ESPAÇO PARA O PREFEITO FÉLIX SAHÃO SER ENTREVISTADO E PODER SE MANIFESTAR SOBRE TODA E QUALQUER DENÚNCIA. NÓS NÃO TEMOS MEDO OU RECEIO DE OUVIRMOS O PREFEITO EM SEU GABINETE. ALIÁS, LANÇAMOS UM DESAFIO: O PREFEITO RESPONDERIA A NOSSAS PERGUNTAS? SE TIVER CORAGEM, O TELEFONE PARA CONTATO É (011) 9118-5007. MARCAMOS DATA E HORÁRIO PARA A ENTREVISTA. E A PUBLICAMOS NA ÍNTEGRA.

MESMO ASSIM, O ESPAÇO ESTÁ ABERTO PARA A ASSESSORIA DO PREFEITO FÉLIX SAHÃO.

O QUE PENSA O SEU VEREADOR?

Último Momento ouviu os vereadores de Catanduva. E apresenta para seus leitores o posicionamento de cada um deles. Saiba se o seu vereador é contra ou a favor de um posicionamento mais duro por parte da Câmara Municipal. Faça a análise e escolha. Seu vereador é "Águia" ou "Galinha"?

MARCÍLIO DIAS - O vereador Marcílio acredita que as acusações são graves e merecem ser apuradas. Ele já foi procurado por outros vereadores que pensam em iniciar uma Comissão Especial de Inquérito. Ele é favorável à criação da CEI.

TITO - O vereador Tito quer explicações por parte do prefeito. Ele acredita que precisam ser ouvidos todos os lados, para que se encontre a verdade. Após estas explicações, poderá se posicionar sobre os fatos.

MARA GABAS - Não foi ouvida pela reportagem, mas é parte interessada pois seu grupo foi citado no processo.

HORÁCIO FIGUEIREDO - Não foi ouvido pela reportagem, mas é parte interessada pois aparece como acusado.

CARECA - Um dos líderes da oposição, diz que tudo precisa ser apurado. Diz ainda que assina o pedido de instalação de CEI, mas teme que a Câmara Municipal varra para baixo do tapete as acusações.

CAMBUY - É um dos mais revoltados com todas as denúncias. Diz que vai apresentar o pedido da CEI e vai na tribuna exigir explicações e punições a todos os acusados. Desde o primeiro mandato vem exigindo transparência do governo municipal.

DANIEL PALMEIRA - É outro que não aceita que a Câmara fique quieta. Para Daniel Palmeira, as denúncias são graves e se o legislativo não se manifestar corre o risco de acabar manchando ainda mais sua imagem.

LUIS PEREIRA - Já avisou que esta a favor do promotor e quer apuração das denúncias. Diz que é águia. E das boas. Vai assinar o pedido de CEI e está ao lado da oposição.

RICARDO NOVELLI - Se aparecer, assina o pedido da CEI.

ONOFRE BARALDI - Não deve assinar o pedido da CEI. Mas avisa que é a favor da apuração dos fatos. Informou que ainda não tomou ciência completa das denúncias. Porém, meio PMDB está na prefeitura em cargo de confiança.

EDER BOCCHINI - Diz que tudo não passa de guerra pessoal. Informou que irá manter contato com o prefeito para saber exatamente o que está acontecendo. Na noite de quinta-feira, foi levado por Salatine ao gabinete do prefeito. Na realidade, faz parte da tropa de choque pró-Felix.

MARCOS CRIPPA - Foi ponderado. Vai defender o prefeito na Câmara e articular para sua vitória. Porém, até Crippa reconhece que a questão das publicidades é um assunto sério. Parte das denúncias do promotor saíram, diga-se de passagem, de investigações do vereador.

HENRIQUE - Defendeu a administração Félix. Disse que é um bom governo, e que o próprio promotor precisaria ser mais ético ao apresentar suas denúncias. Vai lutar para que o prefeito seja inocentado.

OSÂNIA - Não foi ouvida pela reportagem. Mas informou a amigos que está ao lado da administração.

JOÃO ROCHA - Até outro dia estava contra o prefeito. Hoje, faz discurso elogiando-o como um antigo amigo. É a favor do prefeito.

MARQUINHOS FERREIRA - Amarelou. Vai defender o prefeito.

IDERLEI - Também vai defender o prefeito. Ele não gosta de polêmica.

NOSSA OPINIÃO.

Não vamos citar nomes, pois aí deixamos para o leitor pensar, fazer uma análise e chegar à sua conclusão. Mas nos parece que a Câmara está sendo composta por mais galinhas que águias. Quem perde com isso é a população. Mais uma vez.

NA MADRUGADA DE QUARTA-FEIRA, 22, ÚLTIMO MOMENTO VOLTA COM SUA EDIÇÃO NORMAL. INCLUSIVE COM ARLINDO GUTEMBERG. ACEITAMOS E-MAIL ATRAVÉS DE: ULTIMOMOMENTO@BOL.COM.BR

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