www.catanduvaemdia.com Domingo, 4 de fevereiro de 2.001
Ciência e Religião

Mário Eugênio Saturno

* Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor da FAFICA, coordenador diocesano das Congregações Marianas, escreve também semanalmente no jornal Vale Paraibano (www.valeparaibano.com.br/pag02). Email: saturno@dea.inpe.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.

Confissão

    O povo Hebreu, sem dúvida, foi um povo organizado, disciplinado e muito determinado. Se assim não fosse, eles não teriam conseguido sair do jugo egípcio. Provavelmente a origem dessas qualidades está na crença em um Deus-Único. Diversos rituais hebreus evoluíram para uma forma que praticamos ainda hoje, seguido pela Igreja Católica e suas ramificações.
    Na religião instituída por Moisés, o penitente se cobria com cinzas e indumentárias próprias dos pecadores. Todo o povo via sua "desgraça" e sabia que era um pecador. Foi uma forma de confissão. Porém, como todos somos pecadores, todos cumpriam tal ritual, reconhecendo-se pecador diante de Deus e da comunidade.
    Esse foi o elemento que, acredito, Emile Durkheim deixou escapar quando verificou que os Judeus e os Católicos são os grupos de pessoas que apresentam menores índices de suicídio quando se observa a religião. A primeira hipótese de Durkheim foi que os católicos tivessem medo de se matar já que morreriam em pecado se poder confessar-se. Porém, os judeus não têm o rito da confissão.

    Então, Durkeim trabalhou a hipótese de que os católicos e os judeus apresentam uma integração social maior que as demais religiões, já que o individualismo e a solidão são fatores que conduzem ao suicídio. Como se pode constatar que o número de mulheres que se matam é menor que o de homens. Melhor viver fofocando com as comadres. Há! Há! Há! Porém os militares que também têm uma alta integração apresentam uma taxa de suicídio alta.
    Ao que parece, os rituais dos católicos (confissão) e dos judeus (penitência pública) tem algum efeito bom na mente do praticante. Aliás, algumas terapias consistem apenas em deixar o paciente falar. Assim, a confissão é uma maneira de libertar o nosso eu mais íntimo. E só se pode satisfazer os desejos e sentimentos se eles forem "confessados" e pedidos.
    A confissão como pratica religiosa ou pessoal é uma maneira de viver bem consigo e com o próximo que afinal é nosso semelhante e colaborador. A solidão conduz ao desespero e ao suicídio, o encontro gera a vida e a felicidade.

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