www.catanduvaemdia.com Domingo, 4 de fevereiro de 2.001
Ciência e Religião

Mário Eugênio Saturno

* Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor da FAFICA, coordenador diocesano das Congregações Marianas, escreve também semanalmente no jornal Vale Paraibano (www.valeparaibano.com.br/pag02). Email: saturno@dea.inpe.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno sem censura.

Perigo no Playground

    Você envia os seus filhos para os parques achando que eles estão seguros, certo?
    Pois é, prepare-se para sofrer uma grande decepção e começar a preocupar-se. Nos Estados Unidos da América, onde se supõe ser e existir o que há de melhor em tecnologia, os parques infantis (playground) receberam uma avaliação mediana quanto a segurança.
    Por lá foi criado o Grupo Nacional para a Segurança dos Playground, para mudar o enfoque do projeto dos parques que, hoje, preocupam-se com a beleza, com os brinquedos.
    E os norte-americanos levam a sério isso, bem como qualquer povo civilizado, porque lá cerca de quinze crianças morrem por ano e outras duzentas mil vão parar nos pronto-socorros por ferimentos provocados em playground.
    E, de acordo com a Academia Americana dos Pediatras, cerca de 60% dos acidentes são causados por quedas. Por isso, a tendência dos peritos em segurança em acolchoar tudo o que puderem. Assim, usam areia, serragem, cascalho fino, esteira de borracha e outros materiais que possam amortecer os tombos.
    Uma pesquisa mostrou que 78% dos playgrounds dos EUA têm as superfícies adequadas, porém 47% não apresentam a profundidade apropriada para amortecer os tombos das crianças.
    Contudo, a segurança não se resume ao amortecimento de quedas, inclui manutenção dos brinquedos, idade apropriada e supervisão de adultos. Assim, placas indicando a idade de crianças para o brinquedo, as regras, etc, estão ausentes em quase todos os parques.
    Os brinquedos têm que ser, acima de tudo, muito interessantes, desafiadores, do contrário, as crianças descobrirão um meio de utilizar o brinquedo de uma forma que o projetista nunca imaginou e, em geral, um meio mais perigoso. As crianças são atraídas pelo risco, por isso todo cuidado é pouco.
    Nem por isso deve-se deixar de levar a criança ao playground. Ou justificar a sua ausência no lazer de seus filhos. Cuidar dos filhos é mais difícil que parece, não? Criticar os pais era fácil, né? Fazer filhos também...

    Mas não desanime, pois ir ao parquinho é melhor do que ficar em casa, a criança aprende como cooperar, como interagir com outras crianças, como participar de um grupo, como se virar sem os pais, como seguir regras em jogos. É o local para socializar uma criança.
    A história dos playground é interessante, começaram modestamente como um banco de areia que tinha finalidade de oferecer às crianças um local para brincar e ficar longe das ruas. O primeiro registro histórico disso ocorreu em Boston, em 1886. Já em 1905, 35 cidades tinham criados os playground públicos. Foram acrescentados aos bancos de areia, aparelhos para escalar, depois cordas e balanços, então, escorregadores. A partir de 1950, os brinquedos começaram a exercitar também a mente das crianças, espaçonaves, escorregadores com forma de elefantes, etc. Até chegar ao que vemos hoje.
    Bem, em alguns lugares, certo?
    E isso tudo não isenta os pais de seguir algumas regras de segurança. A primeira regra é verificar os brinquedos antes que as crianças brinquem. Um item que merece atenção são os ganchos dos balanços, se um cartão bancário passar na junção, há perigo em lesar a criança. A grama não é um local seguro, prefira pó de serra, borracha e assemelhados. Um grande perigo encontra-se nos espaços entre barras, portas, elas podem ser grandes o suficiente para prender a cabeça da criança, estrangulando-a. Mama mia! Os cuidados com a criança não se encerram com alimentação, educação e lazer. Bem mais do que levar as crianças aos parquinhos para ter momentos de paz e alegria, é preciso que elas tenham um ambiente propício dentro de casa. Há casais que derrubam a carranca e mostram alegria entre quatro paredes, longe dos olhares infantis. A impressão que fica é a de pais que não se amam.
    Ninguém é imutável. O tempo, em geral, piora as pessoas, porém não precisa ser regra, é preciso policiar-se para não deixar morrer a troca de olhares carinhosos, a simpatia, a atração, o sorriso, a alegria, o sonho, o desejo de construir, família e sociedade. Ser melhor é possível!


 
 
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