www.catanduvaemdia.com Domingo, 28 de janeiro de 2.001
Ciência e Religião

Mário Eugênio Saturno

* Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor da FAFICA, coordenador diocesano das Congregações Marianas, escreve também semanalmente no jornal Vale Paraibano (www.valeparaibano.com.br/pag02). Email: saturno@dea.inpe.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.

Meus alunos

    Infelizmente, por compromissos com o projeto do Satélite Científico Franco-Brasileiro, projeto que passei a fazer parte, não poderei participar da Colação de Grau dos meus alunos da FAFICA. O que é uma grande perda, uma vez que, acredito, é a melhor turma de Ciência da Computação que a faculdade já formou.
    Lembro-me bem desses alunos no terceiro ano, quando os tive como alunos pela primeira vez. A fama deles não era das melhores e durante o passar do ano, tiveram conflitos com vários professores, em geral, motivado por comportamento não adequado na sala de aula. De fato, chegaram a ser mal classificados.
    Foram alunos que resolvi dedicar atenção especial porque debaixo de toda rebeldia se encontra um grande desejo de transformação. Desses eu gosto. Piores são os acomodados que se sujeitam ao sistema implantado. Desse tipo de gente conformada não surge o progresso nem o desejo de transformar nossas vidas e nossa sociedade. Dos rebeldes vêm os Einstein, Newton, Da Vinci, Copérnico.
    Fui um professor que não teve problemas com eles. Na verdade, só no início com alguns telepatas. Os alunos telepatas incrivelmente fazem suas provas iguaizinhas aos dos seus vizinhos. Mas, desenvolvi uma técnica contra a telepatia: exponho publicamente o telepata e suas peripécias.
    Os momentos que passamos juntos não poderiam classificar-se como um relacionamento comum professor-aluno, mas de amizade, onde o mais velho fala mais por ter vivido mais. Foram momentos de criatividade, diversão e arte, onde cinqüenta alunos queriam pegar um professor que nunca perdoou uma bola levantada nas proximidade da área e sempre soube chutar ao gol. As aulas eram encontros festivos regados, não a álcool, mas sim ao prazer de ensinar, de aprender e estar juntos.
    Vejo hoje, depois de passar tanto tempo, que além do conhecimento adquirido, estão mais maduros e seguros para enfrentar as dificuldades que um profissional iniciante tem. Com os olhos no futuro mas a realidade no passado, esses alunos serão aqueles que impulsionarão Catanduva e região ao progresso tecnológico, ao uso do conhecimento moderno, tais como email, e-commerce, loja virtual, internet, segurança na web e sabe o que mais eles próprios criarão.

    Contemplando tudo isso, lembro-me do milagre japonês que foi precedido por um momento de excesso de profissionais de nível superior, que logo tornou-se o modelo propulsor de desenvolvimento tecnológico e econômico. Desde criança sou um bom observador e analista. Não costumo errar minhas previsões, porisso creio que essa turma é de profissionais de sucesso e que honrarão muita a FAFICA e este professor que depositou neles confiança e respeito.
    Não estarei lá no momento da diplomação, quando receberão seu diploma, uma cerimônia simbólica de sua mudança de grau, superior, não só pela nomenclatura mas pela realidade estatística que mostra que o desenvolvimento de um país é precedido pelo investimento no ensino superior. Local onde estarão reunidos pela última vez alunos e professores, depois serão pares.
    Há quem não goste de participar de uma cerimônia desse tipo. Às vezes, é mais longa do que deveria. Porém, dizer ao aluno “você conseguiu!” e ver em sua face o sorriso da vitória é recompensador. E sei que serão bem recebidos em Catanduva e região, conheço os catanduvenses e sei que sabem valorizar a prata da casa.
    De uma forma geral, podemos dizer que as nossas instituições de ensino são de ouro. Catanduva é uma cidade diferente pois possui um grupo de pessoas cultas e inteligentes que estão trabalhando para tornar essa cidade melhor. Sem dúvida, é o legado que nos deixaram os professores do passado.
    Existe algo que o dinheiro não compra: é essa satisfação de, apesar das adversidades, ter cumprido a nobre missão de preparar seres humanos. Se todo professor percebesse... E se todo aluno entendesse a necessidade da educação em um mundo globalizado nos deveres mas regionalizado nos direitos, com certeza faria uma parceria com a escola e com seus professores para que o tivéssemos um ensino de melhor qualidade.
    Espero que cada novo cidadão, de grandeza maior, possa entender o momento histórico que vive e possa fazer melhor que seus antecessores fizeram. Tenham sucesso!


 
 
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