Folha de São Paulo - Catanduva

São Paulo, quarta-feira, 16 de outubro de 2002 PAINEL DO LEITOR

    Prefeitura petista
"No dia 27/9, o repórter Roberto Cosso procurou a mim e a outros assessores da Prefeitura de Catanduva a fim de esclarecer uma "denúncia" de fatos ocorridos em 1998. O repórter avisou que a reportagem seria publicada no domingo 29/9. Embora tivesse compromissos eleitorais naquela noite, cancelei minha agenda e dispus-me a responder às suas perguntas uma por uma. Fui à prefeitura com assessores, abrimos os arquivos e os colocamos à disposição da reportagem da Folha. Por telefone e por fax, enviei tudo o que foi solicitado pelo repórter. Mandamos processos, ordens de serviço e notas fiscais. Depois das 23h, conversamos pela última vez por seu telefone celular. Perguntei a Roberto Cosso se ele tinha dúvidas, porque, enquanto as tivesse, estávamos dispostos a dissipá-las. Ele me respondeu que não. E mais: disse que não havia mais motivo para publicar a reportagem.
Por tudo isso, fiquei muito surpreso com a reportagem publicada neste domingo, 13/10 ("Gestão do PT pagou campanha, diz empresária", Brasil, pág. A9). E fiquei mais surpreso ainda ao ver que todos os documentos que enviamos foram suprimidos pela edição. Fiquei abismado com o fato de a Folha abrir espaço no caderno Brasil, um dos mais nobres do jornalismo brasileiro, para uma pessoa confessar que teria feito algo errado com dinheiro público e tentar nos empurrar uma responsabilidade que seria dela."
Félix Sahão Júnior, prefeito de Catanduva (Catanduva, SP)

Resposta do jornalista Roberto Cosso - Este repórter jamais disse que não havia motivo para publicar a reportagem. O conteúdo dos documentos enviados à Folha está expresso no texto.

 

"A reportagem publicada no último domingo traz muitas inverdades e um grave erro jornalístico. Conversei com Roberto Cosso por telefone algumas vezes entre a tarde e a noite do dia 27/9 e em nenhum momento o repórter mencionou algumas acusações presentes na reportagem -particularmente a de que eu teria ordenado a uma funcionária a emissão de notas fiscais apenas para justificar pagamentos indevidos, o que não é verdade. Ressalto que, no último telefonema, coloquei-me à disposição do repórter, dando a ele os números dos telefones da minha casa, do meu celular e do meu local de trabalho. Ele respondeu que, se tivesse alguma dúvida, iria me telefonar, fato que não ocorreu.
Também lastimo que esse jornal abra suas páginas para que uma pessoa faça acusações sem lastro na realidade e sem provas. Pior ainda foi a edição da reportagem. Ela ignorou os documentos enviados à Redação (que desmontavam a reportagem) e reduziu os depoimentos -que a deixariam sem sentido- a mera ilustração no texto "Outro lado".
Quanto às acusações, moverei processo criminal para que a responsável responda por seus atos perante a Justiça.
Edson Antunes Campos (São Paulo, SP)

Resposta do jornalista Roberto Cosso - Este repórter apresentou ao missivista os principais pontos da entrevista de sua ex-sócia. Concordei em conversar "off the records" por mais de 15 minutos e, ao final, anotei sua declaração oficial, que foi transcrita na íntegra.


Folha de São Paulo - Catanduva

São Paulo, terça-feira, 15 de outubro de 2002



PT SOB SUSPEITA

Prefeito de Catanduva nega suposta intimidação por seguranças

Publicitário diz ter sido ameaçado

ROBERTO COSSO
DA REPORTAGEM LOCAL

    O publicitário Pedro Lyrio, 51, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Seccional de Polícia de Catanduva (SP) acusando o prefeito da cidade, Félix Sahão Júnior (PT), de tê-lo ameaçado. Lyrio trabalha na empresa UP Propaganda e Marketing S/C Ltda., de propriedade de sua mulher, Laede Lia de Moraes. A UP deteve a conta de publicidade da Prefeitura de Catanduva (a 385 km de São Paulo) por três anos.
Na edição de domingo, a Folha publicou entrevista com Lia na qual ela afirma que a Prefeitura de Catanduva pagou panfletos e faixas para a campanha de Rui Falcão (PT) a deputado federal em 1998. O material teria custado R$ 17.900, de acordo com documentos apreendidos na casa de Lia.
Félix confirma ter apoiado Falcão para deputado federal em 1998, mas nega veementemente ter utilizado dinheiro público para custear material de campanha. Falcão também nega a acusação de Lia.
Em 2 de outubro, quando o prefeito já havia sido ouvido pela Folha sobre as acusações de Lia, Félix encontrou-se com Lyrio no Mercado Municipal de Catanduva. O publicitário carregava seu filho de oito meses no colo.
Segundo a versão relatada por Lyrio à polícia, "ao passar ao lado, o prefeito, intencionalmente, com o movimento do ombro direito, deu-lhe um forte "tranco" no ombro direito, o que fez com que se desequilibrasse, quase derrubando a criança".
Em seguida, o publicitário teria sido ameaçado pelos seguranças do prefeito. "É bom a gente conhecer a sua cara; você está marcado", teria sido um dos seguranças, segundo a versão de Lyrio.

Outro lado
O prefeito de Catanduva, Félix Sahão Júnior, negou que seus seguranças tivessem ameaçado o publicitário Pedro Lyrio e afirmou que irá processá-lo.
Félix diz que estava conversando com as pessoas no Mercado Municipal de Catanduva, acompanhado de sua irmã Beth Sahão, que seria eleita deputada estadual quatro dias depois.
O prefeito relata que alguém esbarrou nele e, quando ele se virou para ver quem era e pedir desculpas, percebeu tratar-se de Lyrio.
"Ele começou a gesticular, e os meus seguranças o afastaram de mim", disse o prefeito, que afirma ter sido vítima de uma "armação" com supostos objetivos político-eleitorais.

Folha de São Paulo - Catanduva

São Paulo, domingo, 13 de outubro de 2002

PT SOB SUSPEITA

Sócia de agência de publicidade que trabalhou para Catanduva afirma ter feito material para Rui Falcão em 98

Gestão do PT pagou campanha, diz empresária

DO ENVIADO ESPECIAL A CATANDUVA

    A empresária Laede Lia de Moraes, 29, afirma que a Prefeitura Municipal de Catanduva, administrada pelo PT desde 1997, custeou material para a campanha a deputado federal de Rui Falcão (PT), que hoje é secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo.
Conhecida como Lia, a empresária é uma das sócias da empresa UP Propaganda e Marketing S/C Ltda., que detinha a conta de publicidade da Prefeitura de Catanduva (a 385 km de São Paulo) em 1998, quando Rui Falcão concorreu ao cargo de deputado federal -e não se elegeu.
O prefeito de Catanduva, Félix Sahão Júnior, confirma ter apoiado Falcão para deputado federal em 1998, mas nega com veemência que dinheiro público tenha sido usado para pagar material da campanha (leia texto ao lado).
Criada em 1996, a UP Propaganda foi contratada pela Prefeitura de Catanduva, por meio de uma licitação, em 1997, e prestou serviços ao município por três anos.
Oficialmente, a empresa pertence a Laede Lia de Moraes e ao publicitário Edson Antunes Campos. Na prática, porém, Campos era sócio do marido de Lia, Pedro Lyrio. A empresária era responsável pela contabilidade da agência.
Campos retirou-se da sociedade em 2000 para trabalhar na campanha à reeleição do prefeito Félix. Mas sua saída ainda não foi formalmente registrada. Hoje ele é coordenador de publicidade da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo.
A empresária concordou em dar entrevista sobre o caso após a Folha ter obtido acesso à documentação da agência de publicidade, apreendida a pedido do Ministério Público do Estado de São Paulo em Catanduva.

Tabela da Copa

    Entre os documentos apreendidos, há uma nota fiscal, datada de 2 de julho de 1998, no valor de R$ 1.400, emitida por Tarrafa Gráfica e Editora Ltda. para a UP Propaganda, referente à impressão de 10 mil folhetos (veja reprodução nesta página). De acordo com Lia, a nota refere-se à impressão de 10 mil "tabelinhas" da Copa do Mundo de 98 (leia texto abaixo). O material traz fotos do prefeito Félix Sahão Júnior e de Falcão (veja reprodução ao lado).
Segundo Lia, para encobrir o pagamento das "tabelinhas", a Prefeitura de Catanduva emitiu uma ordem de serviço para a UP Propaganda, para "criação e produção de cartilha educativa sobre água e saneamento".
Depois de fazer o serviço -a confecção das "tabelinhas", segundo Lia-, a UP Propaganda emitiu uma nota fiscal para a Prefeitura de Catanduva, referente ao pagamento da nota fiscal da Tarrafa Gráfica e Editora Ltda., no valor de R$ 1.610 -R$ 1.400 da nota da Tarrafa e mais R$ 210 de comissão para a agência.
A Prefeitura de Catanduva confirma que pagou a nota enviada pela UP Propaganda, mas diz que o trabalho realizado foi o encomendado pela ordem de serviço (leia texto nesta página).
Os responsáveis pela Tarrafa disseram à Folha que não têm registro do serviço, que foi realizado há mais de quatro anos.

Faixas

    Também há, entre os documentos apreendidos, notas fiscais datadas de 15 de setembro de 1998 referentes à confecção de faixas plásticas pela empresa Joel Pereira Propaganda, de Sorocaba (SP), no valor total de R$ 16.500.
Lia afirma tratar-se de faixas da campanha de Rui Falcão, cuja arte-final teria sido feita por sua empresa. Ela indica, entre os documentos apreendidos, um comprovante de depósito no valor de R$ 15 mil, feito na conta de Flávio Dini, dono de uma outra empresa de confecção de faixas plásticas de Sorocaba. O depósito seria parte do pagamento das faixas.
Dini disse à Folha que, em virtude de os fatos terem ocorrido há mais de quatro anos, ele não se lembra de ter trabalhado para a UP Propaganda ou de ter confeccionado faixas para Rui Falcão. Mas confirma que costumava ser subcontratado por Joel Pereira em 1998. A empresa de Joel Pereira fechou e ele não foi localizado.
Novamente, segundo Lia, o pagamento das faixas teria sido feito pela Prefeitura de Catanduva. Mas, dessa vez, de acordo com a empresária, teria sido utilizada uma transação mais complexa para justificar a despesa pública.
Lia afirma ter recebido notas fiscais frias, da empresa A3 Artes Gráficas Ltda. ME, para justificar suas despesas com faixas plásticas. A nota entregue pela UP Propaganda à prefeitura faz referência às notas fiscais da A3.
Três ordens de serviço justificariam os pagamentos. Uma é sobre a "criação e produção da campanha "Vida Nova'". Outra diz respeito a "criação e produção da campanha da "Fecic", logomarca e outras peças". A terceira pede "cruzamentos especiais, tabulação, análise e formação de banco de dados sobre pesquisas de avaliação do desempenha da administração". Segundo a Prefeitura de Catanduva, os serviços foram efetivamente realizados. A UP recebeu R$ 2.475 de comissão.
(ROBERTO COSSO)


FRASE

    Ela [Lia" está tentando montar uma situação que não ocorreu. Se ela fez isso [pagar material de campanha de Rui Falcão com dinheiro da prefeitura", ela nos enganou e deve ser presa

FÉLIX SAHÃO JÚNIOR,
prefeito de Catanduva



"Prestamos serviços para Rui Falcão"

DO ENVIADO ESPECIAL A CATANDUVA

A empresária Laede Lia de Moraes, 29, afirma que a agência de publicidade contratada pela Prefeitura de Catanduva prestou serviços para Rui Falcão. Leia, a seguir, entrevista concedida por Lia.

    Folha - Qual foi o serviço que a Tarrafa Gráfica e Editora Ltda. prestou para a sua empresa?
Laede Lia de Moraes -
Foram folhetos da Copa de 98.

Folha - Entre os documentos apreendidos pelo Ministério Público em sua empresa, há uma tabela dos jogos da Copa do Mundo. É a isso que a sra. se refere?
Lia -
Foi esse material.

Folha - Quem pagou pela impressão dessa material?
Lia -
A nossa cliente. A gente detinha a conta de publicidade da Prefeitura de Catanduva. Essa nota foi emitida [pela UP Propaganda" para a prefeitura e foi paga.

Folha - Como isso foi feito?
Lia -
Recebemos instruções para fazer esse material. Fizemos a arte e passamos a arte desse material para a Tarrafa. A Tarrafa nos enviou a nota fiscal e nós emitimos [nota fiscal" para a prefeitura.

Folha - Há também três notas fiscais de Joel Pereira Propaganda. A que elas se referem?
Lia -
São faixas feitas para o Rui Falcão.

Folha - É material de campanha?
Lia -
São faixas para a campanha política. Prestamos serviços para Rui Falcão.

Folha - Quem pagou?
Lia -
Na época, nós prestávamos serviços para a Prefeitura de Catanduva. A gente tinha um sócio, Edson Antunes Campos, e ele articulou para que essas notas fiscais fossem pagas pela prefeitura.

Folha - Quem determinou à UP Propaganda que fizesse esses dois serviços para Rui Falcão?
Lia -
Edson Campos era a pessoa que articulava e fechava todos os acordos dentro do gabinete [do prefeito de Catanduva". Ele era sócio da UP, vinha para Catanduva e levava todas as ordens de serviço [para São Paulo". Era tudo documentado.

Folha - Há outras notas fiscais de uma empresa chamada A3 Artes Gráficas. A que elas se referem?
Lia -
Essas notas fiscais são as que aparecem na verba de publicidade [da prefeitura".

Folha - O que a A3 fez para a UP?
Lia -
Nada.

Folha - A sra. pagou para a A3?
Lia -
Não, não paguei.

Folha - E por que a A3 emitiu essas notas para a UP?
Lia -
Eu recebi essas notas para compatibilizar o meu caixa.

Folha - Compatibilizar o quê?
Lia -
Eu recebi essas notas para fazer o depósito do [Flávio" Dini. Essas notas foram enviadas para cobrir o gasto da prefeitura.

Folha - As notas justificaram as despesas da prefeitura com faixas?
Lia -
Essas foram as instruções que recebi do Edson Campos: para pagar o Dini pelas faixas que foram feitas para o Rui Falcão.



Outro lado

    Todas as pessoas envolvidas nas acusações feitas pela empresária Laede Lia de Moraes negaram ter participado de quaisquer irregularidades na confecção de material publicitário supostamente pago pela Prefeitura de Catanduva.
    O prefeito da cidade, Félix Sahão Júnior, foi o mais veemente: "Ela [Lia] está tentando montar uma situação que não ocorreu. Se ela fez isso [utilizar o dinheiro da prefeitura para pagar material de campanha de Rui Falcão], ela nos enganou e deve ser presa".
    Félix confirmou ter apoiado Rui Falcão para deputado federal em 1998, mas disse que "todo o material de campanha vinha de São Paulo" e, segundo ele, era pago por Falcão.
    O prefeito confirmou que a prefeitura pagou todas as notas a que Lia faz referência. Mas, segundo ele, os trabalhos encomendados pela prefeitura nas ordens de serviço foram efetivamente realizados.
    "Os serviços foram feitos e destinados a campanhas [publicitárias] de programas da prefeitura. Essas notas não têm nada a ver com o Rui [Falcão]."
    Félix disse ainda que o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo fez uma análise específica no contrato de publicidade da Prefeitura de Catanduva e que não achou irregularidades.
    Por meio de sua assessoria, Rui Falcão, disse não ter conhecimento das afirmações de Laede nem de suas motivações.
    Falcão afirmou ser incorreta a informação veiculada pela Folha na edição de 22 de setembro segundo a qual ele arrecadou R$ 16.200 para sua campanha a deputado federal. Não disse, contudo, qual teria sido o valor efetivamente arrecadado.
    Ele ressaltou que a prestação de contas de sua campanha foi apresentada "regularmente ao Tribunal Regional Eleitoral".
    O publicitário Edson Antunes Campos, que era sócio da UP Propaganda e foi acusado por Lia de negociar desvios no contrato de publicidade, diz que as acusações não são verdadeiras. "Eu atendia a conta de publicidade de Catanduva. Sempre trabalhamos dentro dos princípios da ética, da lisura e da legalidade. Não sei qual é a motivação dela [Lia]."


    São Paulo, segunda-feira, 30 de setembro de 2002

    PÚBLICO & PRIVADO
    Das 39 administrações do partido no Estado, em 17 há o vínculo
    Prefeituras do PT contratam empresas de petistas em SP
    CHICO DE GOIS
    ROBERTO COSSO
    DA REPORTAGEM LOCAL
    Pelo menos 44% das prefeituras administradas pelo PT no Estado de São Paulo contrataram empresas de pessoas ligadas ao partido. Em todos os casos, pelo menos um dos donos trabalhou na administração pública e depois abriu sua empresa privada.
    O PT administra hoje 39 cidades em São Paulo. Dessas, a Folha localizou contratos com empresas ligadas a petistas em 17 casos. Também há negócios em pelo menos mais seis cidades que foram administradas pelo PT ou estão localizadas em outros Estados, além do Distrito Federal.
    Os serviços variam de propaganda e consultoria a coleta de lixo. Há locais em que o Ministério Público ou CPIs investigam suposto favorecimento. Em outros, o TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) apontou irregularidades na contratação.
    A maioria das empresas argumenta que não trabalha apenas para administrações petistas. As prefeituras afirmam que as contratações obedeceram todos os trâmites legais e que não houve beneficiamento. Além disso, dizem que os trabalhos foram contratados em vista do menor preço.
    Consultoria
    A maior especialidade das empresas é no ramo de consultoria. A Peruzza & Caporucci, cujos sócios são Marco Antônio Peruzza e Moacir Caporucci, ajuda as prefeituras de Bebedouro e de Pitangueiras a se enquadrarem na Lei de Responsabilidade Fiscal.
    Peruzza foi secretário de Governo de Jaboticabal até o início deste mês, quando se desligou para trabalhar na campanha de candidatos a deputado do partido na região. Caporucci é militante do PT de Guariba.
    Na área de publicidade, a PG Comunicação, que tem como diretor Eduardo Godoy, ex-coordenador de Comunicação do governo do Mato Grosso do Sul no início do mandato do governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, trabalha para as prefeituras petistas de São Paulo, Guarulhos, Campinas e Mauá, e já prestou serviços para Catanduva e Ribeirão Pires.
    A empresa pertence a Patrícia Bérgamo, mulher de Eduardo Godoy. Ele trabalhou nas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência em 1998 e de Marta Suplicy ao governo do Estado de São Paulo, no mesmo ano.
    Criada em 1996, com um capital social de R$ 50 mil, a PG aumentou em 14 vezes esse valor e hoje possui um capital de R$ 700 mil.
    Em 2001, a PG integrou um consórcio com a Makplan e a Agnelo Pacheco e ganhou um contrato na Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 20 milhões, por um ano. O TCE considerou irregular o contrato firmado entre a PG e a Prefeitura de Mauá.
    Outra que atua na área de publicidade é a Impacto Consultoria e Marketing. A empresa foi fundada em novembro de 2000 por Sebastião de Deus Moreira e Luiz Gonzaga Bussola.
    Moreira foi secretário de Governo de Matão na gestão de Adauto Scardoelli (1997-2000) e Bussola foi superintendente da Caema (Companhia de Água e Esgoto de Matão) no mesmo período.
    A Impacto trabalhou para as administrações municipais petistas de Araraquara, Pitangueiras, Dobrada e Rincão.
    Limpeza urbana
    O serviço de limpeza urbana também tem empresas de petistas no mercado.
    A Engelix tem como principal sócio Nelson Frateschi, ex-administrador regional da Lapa durante a gestão de Luiza Erundina (1989-92) e irmão do presidente do diretório estadual do PT, Paulo Frateschi.
    A Engelix foi fundada em 1993, logo depois que Nelson saiu da prefeitura. Desde então, já prestou serviços para o Distrito Federal, na época do ex-governador Cristovam Buarque, e para as prefeituras de Franca, Catanduva, Franco da Rocha, Angra dos Reis (RJ), Belém (PA) e Itabuna (BA).
    A Engelix atua principalmente na parte técnica, enquanto a Construrban, de Ubiratan Sebastião de Carvalho, ex-administrador regional de Santo Amaro também na gestão Erundina, trabalha na coleta.
    A Construrban já trabalhou para São Paulo, Franca e Betim (MG). Uma CPI instalada na Câmara Municipal de Franca, no ano passado, questionou um suposto favorecimento da empresa.
    Palocci
    Ex-secretário de Governo de Ribeirão Preto durante a primeira gestão de Antônio Palocci (1993-96), Rogério Buratti criou a Assessorarte em 1994, logo depois que deixou a prefeitura.
    Ele era considerado o homem forte da administração Palocci e foi exonerado pelo prefeito em outubro daquele ano, depois de suspeitas de distribuição prévia de obras públicas da cidade.
    A Assessorarte trabalha principalmente na preparação de concursos públicos. Pelo menos sete prefeituras do PT já contrataram seus serviços: Franca, Araraquara, Batatais, São Simão, Rincão, Sales Oliveira e Matão (na administração anterior).
    O outro sócio da Assessorarte é Luiz Prado, ex-superintendente do IPM (Instituto de Previdência dos Municipiários) no primeiro governo de Palocci e ex-secretário de Administração de Jaboticabal na gestão do petista José Giácomo Baccarin, que concorre a suplente de senador na chapa de Aloizio Mercadante (PT).
    Para a preparação de editais, algumas prefeituras petistas contrataram a Rodvias Engenharia Municipal, de Ricardo Pereira dos Santos, ex-secretário de Obras de Santos durante a administração de Davi Capistrano (1993-96).
    A Rodvias trabalhou para as prefeituras de Santo André, Mauá e Belém (PA). O Ministério Público de São Paulo investiga um suposto favorecimento à empresa.
    Em Santo André, o ex-secretário de Serviços Municipais, Klinger Luiz de Oliveira Souza, que trabalhou com Ricardo em Santos, contratou a empresa para prestar serviços na cidade. No total, a Prefeitura de Santo André manteve R$ 6,8 milhões em contratos com a Rodvias.
    Em 2001, a Prefeitura de Bebedouro contratou a Gushiken e Associados, do ex-deputado federal e ex-coordenador da campanha de Lula, Luiz Gushiken. A empresa, que tem contrato com a prefeitura, faz um trabalho de cálculo atuarial para a criação do Instituto de Previdência Municipal.
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    Colaborou EVANDRO SPINELLI, da Folha Ribeirão

    PÚBLICO & PRIVADO/ OUTRO LADO
    Petistas dizem que contratos são regulares
    Prefeitos negam existência de favorecimento político
    DA FOLHA RIBEIRÃO
    DA FOLHA CAMPINAS
    DA REPORTAGEM LOCAL
    As prefeituras petistas ouvidas pela Folha negaram que tenha havido privilégio a empresas ligadas ao PT e contratadas pelas administrações. Segundo elas, não há relação entre as contratações dessas empresas e a ligação de seus donos com o partido.
    "A gente não trabalha só com empresas ligadas ao PT. Tenho uma tranquilidade muito grande quanto a isso", disse o prefeito de Sales Oliveira, José Daniel Graton.
    Ele contratou a Assessorarte para fazer um concurso público na sua primeira gestão, em 1999. A empresa venceu uma licitação.
    Amarildo Dudu Bolito, prefeito de Rincão, afirmou que impedir empresas com sócios ligados ao PT de participarem de licitações nas administrações do partido "é discriminação".
    "Existem no Brasil milhares de empresas, muitas delas com pessoas ligadas a partidos políticos. Por que só se fala do PT?", questionou Dudu.
    Segundo ele, a Assessorarte trabalhou para sua administração após vencer uma licitação e a Impacto foi contratada para fazer peças publicitárias porque apresentou o melhor projeto. "As empresas têm know-how nessa área", completou.
    "Nós não fazemos discriminação partidária. Em 99% dos casos fazemos contratos com empresas de pessoas que não são ligadas ao PT e, em muitos casos, são filiadas até a outros partidos", disse Jefferson Ribeiro, secretário de Governo da Prefeitura de Franca.
    Para ele, desde que as empresas obedeçam a lei e apresentem o melhor preço, não há impedimento para que elas vençam licitações e sejam contratadas.
    O secretário da Administração de Araraquara, Donizete Simioni, disse que todas as licitações na prefeitura foram feitas de acordo com as normas estabelecidas pela Lei de Licitações.
    "Contratamos a Assessorarte porque ela venceu uma licitação para a qual convidamos mais de dez empresas. As pessoas que prestaram o concurso elogiaram a qualidade da prova e não houve um recurso sequer à Justiça", disse o secretário.
    O prefeito de Batatais, Fernando Ferreira, disse que todos os processos de compra de sua administração estão à disposição de quem quiser verificar e, segundo ele, estão todos corretos.
    Ele disse que não sabia que os donos da Assessorarte eram ligadas ao PT. No caso da gráfica Angelo Marcelo Fossa ME, ele disse que o proprietário, ex-vereador pelo PT em Brodowski, lhe perguntou antes se haveria problema no fato de sua empresa participar da licitação. "Eu disse a ele que não teria problema. Meus processos de compra foram limpos e claros", afirmou Ferreira.
    O procurador José Francisco Limone, responsável pelas licitações de Catanduva, disse que a Engelix foi contratada por carta-convite, por R$ 20 mil, em 1998, para elaborar o edital da concorrência pública que escolheria uma empresa para os serviços de limpeza urbana no município.
    A assessoria de imprensa da Prefeitura de Bebedouro divulgou uma nota na qual afirma que "as contratações das empresas citadas foram realizadas na forma da lei 8.666/93 (Lei de Licitações) e aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado".
    A assessoria de imprensa da Prefeitura de Ribeirão Pires informou que o município contratou a PG Comunicação, por licitação, em 1998. O contrato, de R$ 400 mil por ano, acabou em 2001, quando houve nova licitação.
    A Folha não conseguiu localizar os prefeitos de São Simão, Hildo Benedito Machado Filho, Serrana, Valério Galante, Dobrada, Carlos Augusto Belintani, e Pitangueiras, Waldir de Felício, e o ex-prefeito de Matão Adauto Scardoelli para comentar o caso.

    OUTRO LADO
    Empresas refutam privilégios
    DA REPORTAGEM LOCAL
    As empresas que têm como sócios políticos petistas e foram contratadas por prefeituras do PT negam que tenham obtido algum privilégio e argumentam que também trabalham para prefeituras administradas por outras legendas.
    Os empresários dizem, também, que têm clientes na iniciativa privada.
    O diretor da PG Comunicação, Eduardo Godoy, disse que a empresa não trabalha apenas para prefeituras do PT.
    Ele afirmou que também mantém vários clientes privados, embora não tenha declarado quantos ou quais.
    Godoy disse que um de seus maiores contratos é com a Prefeitura de Campinas, mas foi estabelecido na gestão do prefeito Francisco Amaral, do PPB (1997-2000).
    "Temos contrato também com a Prefeitura de Americana, que não é administrada pelo PT", afirmou. Godoy declarou que este ano não renovou um contrato que mantinha com a Prefeitura de Catanduva, "por incompatibilidade com a administração".
    Ele disse que todas as contratações foram precedidas de licitação e lembrou que, em algumas cidades administradas pelo PT, como Santo André, por exemplo, concorreu mas não ganhou.
    Elisabete Leonel Ferreira, diretora da Gushiken e Associados, ex-deputado federal e ex-coordenador da campanha de Lula, disse que a empresa é especializada em previdência e que mantém apenas um contrato com uma prefeitura petista, de Bebedouro.
    A empresa foi contratada no ano passado por R$ 7,5 mil, sem licitação, porque o valor, de acordo com a lei, permite a contratação direta.
    "Estamos tendo prejuízos com o contrato por causa das despesas e da distância de cerca de 300 quilômetros entre a sede da empresa e a prefeitura", disse a diretora.
    O ex-secretário de Governo de Jaboticabal Marcos Antônio Peruzza não foi localizado pela Folha, mas a assessoria de imprensa da prefeitura informou que não há nenhuma irregularidade no fato de empresas de petistas serem contratadas por prefeituras administradas pelo partido.
    Rogério Buratti e Luiz Prado, da Assessorarte, que trabalha principalmente na preparação de concursos públicos, não foram localizados na sexta-feira pela Folha. Na empresa, informaram que os sócios não estavam e só retornariam na segunda-feira.
    Em outra ocasião, Prado afirmou que o serviço da empresa é técnico e que o envolvimento político dos proprietários não interfere no trabalho.
    Ricardo Pereira da Silva, sócio da Rodvias Engenharia Municipal, em entrevista à Folha em junho também negou que sua empresa tenha sido beneficiada pelo fato de ter sido secretário em uma administração do PT.
    "Já fiz obras para o governo do Estado, na época do governador Mário Covas, além de trabalhar em Minas Gerais, Alagoas e Bahia, por exemplo."
    Ele também presta serviço para empresas particulares.
    A mesma explicação foi dada por Nelson Frateschi, da Engelix, e Ubiratan Sebastião de Carvalho, da Construrban. Carvalho lembrou que já trabalhou para o Ceagesp, que não é administrado pelo PT, e também para o Rio de Janeiro. A Engelix também presta serviços para empresas privadas e trabalhou para Salvador, que nunca foi administrada pelo PT.
    A Impacto Consultoria e Marketing, que atua na área de publicidade, além de trabalhar para as prefeituras de Rincão, Dobrada, Araraquara e Pitangueiras, mantém clientes particulares.

    Chaim trabalhou para José Dirceu e Rui Falcão
    22/09/2002
    Chaim trabalhou para José Dirceu e Rui Falcão
    DA REPORTAGEM LOCAL
    Willian Ali Chaim, presidente das empresas de ônibus do grupo Niquini, trabalhou com o presidente nacional do PT, José Dirceu, e com o secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo, Rui Falcão.
    Militante da esquerda desde os 15 anos, Chaim foi secretário estadual do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em São Paulo no final da década de 1990.
    Em 1989, ele foi nomeado diretor da extinta CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos) e permaneceu no cargo durante toda a gestão de Erundina (1989-92).
    Em 1993, Chaim foi nomeado funcionário da Câmara dos Deputados como assessor do deputado José Dirceu. No final de 1994, ele participou da coordenação da campanha de Dirceu ao governo de São Paulo.
    Dirceu não foi eleito e, em 1995, Chaim foi nomeado na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo como funcionário de outro petista, o então deputado estadual Rui Falcão, que hoje é secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo.
    No final de 1996, Chaim coordenou a campanha vitoriosa de Félix Sahão Júnior (PT) à Prefeitura de Catanduva e, depois, voltou a trabalhar com Falcão.
    No final de 1998, Chaim participou da coordenação da campanha de Falcão a deputado federal. Na prestação de contas da campanha, entregue ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), Chaim consta como tesoureiro e assina uma declaração segundo a qual a arrecadação da campanha teria sido de R$ 16.200, dos quais R$ 10 mil teriam sido doados por uma fábrica de bolachas de Catanduva e os outros R$ 6.200 seriam recursos próprios do candidato. Falcão teve 47.345 votos e ficou como suplente.
    Sem emprego em São Paulo, já em 1999, Chaim mudou-se para Catanduva para trabalhar como secretário de Planejamento da prefeitura local. Ficou apenas 40 dias no cargo.
    De volta a São Paulo, trabalhou para a iniciativa privada por cerca de um ano e voltou a Catanduva para coordenar a reeleição de Sahão Júnior.
    Em 2001, ele foi nomeado presidente da ETCD (Empresa de Transporte Coletivo de Diadema), onde trabalhou por 15 meses. Sua gestão foi marcada pela reestruturação do sistema de transportes e pela extinção dos perueiros _o que agradou aos empresários de ônibus.
    Neste ano, Chaim foi convidado para coordenar a campanha a deputado federal de Ricardo Zarattini (PT), pai do secretário municipal de Transportes, Carlos Zarattini, e exerceu a função por dois meses.
    Pouco depois de ter deixado a campanha de Zarattini, ele foi convidado pelo empresário Romero Niquini a dirigir as empresas de ônibus de seu grupo. O convite foi feito por indicação do empresário Baltazar José de Souza, cuja empresa foi beneficiada pelo trabalho de Chaim em Diadema.

    PAINEL DO LEITOR
    28/06/2002
    PAINEL DO LEITOR
    Prefeituras
    "Em relação à reportagem 'Empresa suspeita atua em cidades do PT' (Brasil, pág. A6, 22/6), gostaríamos de informar que, quando assumimos a Prefeitura de Botucatu, a coleta de lixo, feita pela Tejofran, custava R$ 67,88 por tonelada. O contrato foi rescindido e foi feita uma contratação emergencial por meio de tomada de preços _veiculada na internet e no 'Diário Oficial' do Estado. A empresa Rotedali ganhou _com o valor de R$ 36 por tonelada. Como a licitação para contratação definitiva foi suspensa para melhor detalhamento do edital (por recursos interpostos pelas firmas concorrentes), foi aberta uma nova tomada de preços em caráter emergencial, da qual participaram sete empresas, inclusive a Rotedali.
    A vencedora foi a Colifran, com o preço de R$ 30,85 por tonelada _um preço ainda menor que o da Rotedali e talvez o menor do Estado.
    Interessante é que a Colifran também presta serviços à cidade de Franca, outra 'prefeitura petista'.
    Nunca perguntamos a filiação partidária dos donos das firmas concorrentes, mas é gratificante constatar que as firmas que apresentaram qualidade e o menor preço são as que trabalham para as administrações petistas."
    Valdemar Pereira de Pinho, vice-prefeito de Botucatu (Botucatu, SP)
    *
    "Solicitamos a retificação de informações contidas na reportagem 'Empresa suspeita atua em cidades do PT'.
    1) A prefeitura não firmou nenhum contrato de emergência com a Rotedali. A referida empresa assumiu o serviço de varrição e de coleta de lixo em Catanduva em 1996 por meio de termo aditivo celebrado com a concessionária antecessora em novembro daquele ano, portanto antes mesmo de o governo do PT assumir a administração _em janeiro de 1997. Em 1998, a administração municipal, em razão do vencimento daquele contrato (prorrogado por 40 meses em 19/1/1995), abriu nova licitação _a concorrência pública nº 3/98.
    2) Da concorrência participaram cinco empresas. A disputa foi realizada com a maior transparência e lisura, dentro dos procedimentos legais, teve ampla divulgação, até no 'Diário Oficial', e teve como critério de avaliação os quesitos técnica e preço _sendo os preços contratados compatíveis com os de mercado.
    Vale ressaltar que uma das empresas participantes, descontente com a sua inabilitação, intentou ação judicial, tendo a Justiça analisado o processo licitatório e se pronunciado favoravelmente ao município até mesmo em sede de tribunal.''
    Nilton Marto Vieira da Cruz , secretário de governo (Catanduva, SP)
    Resposta do jornalista Chico de Gois _ A reportagem limitou-se a dizer que a empresa Rotedali presta serviços para três prefeituras petistas. Os argumentos tanto da Prefeitura de Catanduva quanto da Prefeitura de Botucatu estão contidos na reportagem, que destacou que, nos dois casos, a Rotedali teria oferecido o menor preço pelo serviço, conforme declaração das prefeituras citadas.

    Empresa suspeita atua em cidades do PT
    22/06/2002
    A Rotedali, que tem como sócio suspeito de cobrança de propina, só faz acordos com prefeituras petistas
    Empresa suspeita atua em cidades do PT
    CHICO DE GOIS
    DA REPORTAGEM LOCAL
    A Rotedali Serviços e Limpeza Urbana, que tem como sócio Ronan Maria Pinto, acusado pelo MPE (Ministério Público Estadual) de fazer parte de um esquema de arrecadação de propina para campanhas petistas, mantém ou manteve contratos apenas com prefeituras do PT no Estado.
    Além de Santo André, cujos contratos são questionados pelo MPE e foram considerados irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), a empresa atua em Catanduva e trabalhou, até março, em Botucatu.
    A Rotedali foi constituída em novembro de 1996, com um capital social de R$ 562,5 mil. Atualmente, seu capital social é de R$ 4,5 milhões. Irineu Nicolino Martin Bianco, apontado pelo MPE como uma das pessoas que recolhia propina das empresas de ônibus em Santo André para entregar para a caixinha de campanhas do PT, assina o contrato social como testemunha.
    Catanduva
    A primeira cidade petista para a qual trabalhou foi Catanduva, administrada por Felix Sahão Júnior (PT). Logo que assumiu, Sahão firmou um contrato de emergência com a Rotedali para fazer o serviço de limpeza na cidade.
    Em abril de 1998, a Prefeitura de Catanduva resolveu fazer uma licitação para varrição e recolhimento de lixo.
    Para elaborar o edital, contratou a empresa Engelix, que tem como sócio Nelson Frateschi, irmão do presidente do diretório estadual do PT, Paulo Frateschi. Nelson, inclusive, integrou a comissão de licitação para avaliar tecnicamente as concorrentes.
    Das cinco empresas que apresentaram propostas, foram classificadas a Rotedali e a Construrban Engenharia, que pertence a Ubiratan Sebastião de Carvalho, ex-administrador regional de Santo Amaro na administração Luiza Erundina (1989-92). As duas são clientes da Engelix.
    A Rotedali venceu a licitação porque obteve nota técnica 9,78, contra 8,75 da Construrban, e proposta de preço menor que a concorrente _R$ 11,089 milhões contra R$ 12,447 milhões. O contrato foi assinado em 21 de dezembro de 1998 e tem duração de quatro anos e meio.
    Santo André
    Pelo menos dois contratos da Rotedali com a Prefeitura de Santo André foram considerados irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Um deles foi firmado em junho de 1999, em caráter emergencial, para operação e manutenção do aterro sanitário, no valor de R$ 3,3 milhões.
    Em 13 de junho deste ano, os conselheiros Robson Marinho, Eduardo Bittencourt Carvalho, Edgard Rodrigues, Fulvio Julião Biazzi e Renato Martins Costa ratificaram decisão de outubro de 2001, na qual avaliaram que "não restou justificada a situação emergencial alegada para a dispensa de licitação". A prefeitura recorreu, mas o tribunal manteve a decisão.
    Outro contrato considerado irregular pelo TCE foi celebrado entre a Rotedali e a Prefeitura de Santo André em 30 de dezembro de 1998, no valor de R$ 6,315 milhões. A licitação teve como objetivo contratação da empresa para coleta e transporte de resíduos sólidos domiciliares.
    O tribunal julgou irregular a concorrência e o contrato, "bem como ilegal o ato determinativo da despesa", isto é, a ordem de pagamento. A prefeitura também recorreu, em março do ano passado, mas, em 23 de julho, o TCE manteve o julgamento de irregularidade. Não cabe mais recurso ao tribunal nesse processo. Para considerar irregular a licitação, o tribunal apontou "restrição de competitividade", diante de um grande número de exigências.
    De acordo com informações da assessoria de imprensa da prefeitura, o TCE não havia concordado com o valor determinado no edital para a caução do contrato e também divergia sobre o tipo de serviço que seria prestado no aterro sanitário da cidade.
    Atualmente, a Prefeitura de Santo André, segundo sua assessoria, mantém três contratos com a Rotedali: coleta e transporte de resíduos sólidos, operação e manutenção do aterro sanitário e coleta, transporte e tratamento de resíduos de saúde.
    A Rotedali pagou, em 1998, R$ 272 mil a Sérgio Gomes da Silva, conhecido na cidade como "Sérgio Sombra". O pagamento foi feito a título de consultoria. Sérgio também é acusado pelo Ministério Público de participar de um esquema de arrecadação de propina para campanhas do PT.
    Botucatu
    Até março deste ano, a Rotedali manteve contrato com a Prefeitura de Botucatu, cidade também administrada pelo PT.
    A contratação da empresa aconteceu em março do ano passado, também em caráter de emergência. O valor do contrato foi de R$ 508 mil, por seis meses, mas foi aditado por igual período.
    Em 20 de março deste ano, a Prefeitura de Botucatu mudou de prestadora de serviço. A Colifran Construções foi contratada para um período de três meses, enquanto tramita a concorrência.

    AS RELAÇÕES ENTRE A ROTEDALI E O PT
    22/06/2002
    AS RELAÇÕES ENTRE A ROTEDALI E O PT
    A empresa
    Rotedali Serviços de Limpeza Urbana
    Fundação: 10.nov.1996
    Sócios: Ronan Maria Pinto e sua mulher, Terezinha Fernandes Soares Pinto
    Capital social: R$ 562 mil (em 96); R$ 4,5 milhões (hoje)
    Em Catanduva
    Logo após ser constituída, a Rotedali foi contratada, em caráter emergencial, pela Prefeitura de Catanduva, do PT, para fazer o serviço de limpeza
    Em 1998, a prefeitura decidiu fazer uma licitação para a coleta do lixo. Para elaborar o edital, contratou a Engelix, empresa de consultoria da qual é sócio Nelson Frateschi, irmão do presidente do diretório estadual do PT, Paulo Frateschi
    Cliente da Engelix, a Rotedali venceu a concorrência. O valor do contrato é de R$ 11 milhões e vigora até hoje
    Em Santo André
    Dois contratos da Rotedali com a gestão petista em Santo André foram considerados irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE)
    O primeiro contrato, de dezembro de 98, no valor de 6,3 milhões, era para coleta de lixo doméstico. O outro, de junho de 1999, firmado em caráter emergencial, previa a manutenção do aterro sanitário, por R$ 3,3 milhões.
    Atualmente, a Rotedali mantém três contratos com a administração do PT na cidade, ligados a coleta de lixo
    Em Botucatu
    Em 2001, quando o PT assumiu a Prefeitura de Botucatu, a Rotedali foi contratada, em caráter emergencial, para prestar serviço. O contrato, no valor de R$ 508 mil, se deu até março deste ano

    Empresa não foi favorecida, dizem prefeituras do PT
    22/06/2002

    Empresa não foi favorecida, dizem prefeituras do PT
    DA REPORTAGEM LOCAL
    As assessorias das prefeituras petistas de Botucatu e Catanduva negaram que a Rotedali Serviços e Limpeza Urbana tenha sido beneficiada por causa da amizade de seu sócio, Ronan Maria Pinto, com petistas de Santo André. Segundo a assessoria de Botucatu, a Rotedali foi contratada em março do ano passado porque a prefeitura rompeu um contrato com a Tejofran, que fazia o recolhimento do lixo na cidade. O motivo do rompimento do contrato seria que a Tejofran estaria cobrando muito caro pela tonelada de lixo recolhido.
    A assessoria informou que para fazer o contrato de emergência publicou edital na internet e no "Diário Oficial" do Estado. Algumas empresas apresentaram proposta de preço. A mais vantajosa teria sido a da Rotedali. Atualmente, há uma concorrência em tramitação.
    Em Catanduva, o secretário de Obras, Marco Antonio Machado, também negou um suposto favorecimento à empresa de Ronan. "Fizemos uma tomada de preços e a melhor oferta foi a da Rotedali", disse Machado. Ele disse que depois do contrato de emergência foi realizada uma licitação, da qual participaram outras empresas.
    Luís Francisco Carvalho Filho, advogado do secretário de Serviços Municipais de Santo André, Klinger Luiz de Oliveira Souza, disse que seu cliente não falaria sobre o assunto enquanto não tomasse conhecimento de todo o teor do processo.
    Procurado três vezes ontem para falar sobre as denúncias de suposto favorecimento à Rotedali Serviços de Limpeza Urbana, o gerente operacional da empresa, Marco Antonio Ribeiro, não foi localizado e não respondeu às ligações da Folha.
    Porém, em resposta por escrito encaminhada ao jornal em dezembro, quando a Folha investigava denúncias de favorecimento, a assessoria da Rotedali negou que a empresa tenha sido beneficiada nas administrações petistas por causa da amizade de Ronan Maria Pinto com o secretário de Serviços Municipais de Santo André, Klinger Luiz de Oliveira Souza, ou com Sérgio Gomes da Silva.
    (CHICO DE GOIS)

    Tucanos já investigavam negócios de Sérgio Gomes
    21/06/2002
    Tucanos já investigavam negócios de Sérgio Gomes
    FREDERICO VASCONCELOS
    DA REPORTAGEM LOCAL
    Sérgio Gomes da Silva, acusado de ser o mentor de um sistema de propinas em Santo André, circulava com desenvoltura entre políticos do PT. Seus negócios eram acompanhados havia um bom tempo pela cúpula do governo tucano, interessada em mapear o que poderia ser o caixa de financiamento de campanhas do PT.
    Os negócios entre a prefeitura de Santo André e empreiteiras despertavam a atenção do Ministério Público Estadual e do Palácio dos Bandeirantes. A Folha apurou que, entre os observadores informais, estava o então procurador Saulo de Castro Abreu Filho, depois nomeado secretário estadual da Segurança Pública.
    Sérgio Gomes foi um dos sócios de empresa de consultoria criada por José Machado (prefeito petista de Piracicaba) e Celso Daniel, em 1993: a Machado e Daniel Consultores Associados S/C Ltda.
    Também eram sócios, entre outros, Miriam Belchior, ex-mulher de Daniel, Maurício Mindresz, depois superintendente do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental) de Santo André, e Jefferson Goulart, ex-secretário de governo de Piracicaba.
    Em 1997, surgiram informações de que essa firma de consultoria prestara serviços a várias prefeituras petistas, sem licitação.
    Goulart, ex-assessor parlamentar de Machado, nega. "A empresa prestava serviços a diversas prefeituras. O critério nunca foi de natureza partidária, porque era uma empresa privada".
    Às vésperas da reeleição, respectivamente, dos prefeitos Celso Daniel (PT) e Maurício Soares (PPS), foram impugnadas duas licitações abertas pelas prefeituras de Santo André (R$ 108,6 milhões) e São Bernardo do Campo (R$ 146,7 milhões).
    Suspeitava-se de direcionamento para favorecer a Emparsanco (empreiteira tradicional no ABC e que também prestava serviços à prefeitura petista de Belém).
    Esses contratos "empacotados", impedindo a participação de pequenas empresas, eram "aberrações inaceitáveis num país democrático", segundo Eduardo Capobianco, diretor de uma das empresas prejudicadas, ex-presidente do Sinduscon e presidente da ONG Transparência Brasil.
    Um indício do monitoramento feito à distância pelo PSDB: em dezembro de 2000, o governo Covas desistiu de firmar convênio com a prefeitura de Santo André, pelo qual o Estado forneceria R$ 5,9 milhões para obras do Tamanduateí, ao descobrir que a verba seria usada para contratar a Emparsanco, sem licitação.
    Durante a campanha eleitoral em Santo André, em 2000, surgiram dossiês com denúncias de superfaturamento de obras públicas beneficiando empresas de Ronan Maria Pinto, sócio de Sérgio Gomes e proprietário de empresas de ônibus. Ex-aliado de Paulo Maluf, Ronan ajudara a torpedear a gestão petista de Luiza Erundina antes de se tornar um "aliado pontual" de prefeituras do PT.
    Na época, foram abertas investigações preliminares sobre contratos com duas empresas de Ronan: a Projeção Engenharia Paulista de Obras Ltda. e a Rotedali Serviços e Limpeza Pública Ltda. A Projeção tinha sede em Santo André e filial em Catanduva (de prefeitura do PT). A Rotedali tinha sede em Catanduva e filial em Santo André.
    Os personagens centrais das suspeitas de favorecimento às empresas de Ronan eram o então secretário de Serviços Municipais, Klinger de Oliveira, cuja campanha a vereador foi marcada pela fartura de recursos, e Sérgio Gomes, com estreitas relações na administração municipal.
    Era previsível que esses fatos com forte teor de combustão, mesmo sem comprovação de suspeitas, explodissem por interesses contrariados ou objetivos políticos na campanha presidencial.

    Contratos de Santo André são investigados
    25/01/2002

    Assassinato de Celso Daniel pode dar início às investigações sobre a relação de prefeituras petistas com grandes empresas
    Contratos de Santo André são investigados
    FREDERICO VASCONCELOS
    DA REPORTAGEM LOCAL
    O assassinato do prefeito Celso Daniel abriu espaço para a administração do tucano Geraldo Alckmin investigar um tema incômodo para o Partido dos Trabalhadores: as relações do PT com empreiteiros e fornecedores e os esquemas de financiamento de campanhas eleitorais.
    Salvo se ficar comprovado que foi um sequestro comum _e a polícia deve trabalhar com todas as hipóteses_, a controvertida presença do empresário Sérgio Gomes da Silva no centro do episódio, mesmo como vítima sobrevivente, transformará em investigação policial o que até então era alvo de discreta apuração pelos tucanos: os negócios envolvendo empreiteiros e prefeituras petistas e, no limite, como funcionaria o caixa de campanha do PT.
    Num ano de eleições, o assassinato brutal de Daniel é um fator de desgaste para o PSDB. Em contrapartida, as relações suspeitas de personagens que circulavam em torno do prefeito podem dar aos tucanos, para uso posterior, munição inesperada pelos petistas. A Folha apurou que essa teia de ligações vinha sendo levantada há algum tempo, reservadamente, por membros da segurança pública no governo tucano.
    Dadas as ligações de Sérgio Gomes com o empresário Ronan Maria Pinto, tido como beneficiário de licitações dirigidas em Santo André, eventuais irregularidades investigadas na esfera administrativa podem vir a ganhar a atenção de inquéritos policiais.
    Se o crime tiver outra conotação _como "acerto" de grupos_, ainda assim sobrará um viés político se envolver figuras que tinham ou tiveram algum trânsito junto à administração municipal.
    A cúpula do PT queixa-se de que, para disfarçar a ineficiência de sua polícia, a administração tucana alimentaria versões de negócios ilegais, levantando suspeitas sobre a honestidade de Daniel.
    Na contramão, políticos tucanos dizem que as eleições de 2000 em Santo André foram fartas em recursos, assim como prosperaram, na época, os dossiês apontando a suspeita de direcionamento de licitações e superfaturamento de obras públicas.
    O alvo político não era apenas Celso Daniel. Batia-se também no secretário de Serviços Municipais Klinger Luiz de Oliveira Souza, responsável pela assinatura dos contratos e que se dizia vítima de perseguição comandada pelo "cartel de empresas do lixo".
    Klinger atribuía o questionamento dos contratos a interesses contrariados, pois a prefeitura rompera um monopólio de 22 anos na área de limpeza pública, afastara uma grande empresa do mercado e estabelecera um patamar de preços mais baixos.
    Essa explicação não afastava o fato que Santo André substituíra um cartel por um fornecedor preferencial _Ronan e as empresas que criou, a Rotedali e a Projeção_, cuja origem em nada difere da dos empresários do setor.
    Empreiteiro de transportes coletivos de Minas Gerais, Ronan criou a construtora Projeção em 1995, com sede em Santo André e filial em Catanduva (município gerido pelo PT).
    Já a Rotedali foi fundada no ano seguinte em Catanduva, com filial em Santo André.
    Ronan admitiu que suas empresas pagaram elevadas somas, a título de "consultoria", a Sérgio Gomes, de quem era sócio na aquisição de dois imóveis.
    Na administração Daniel/Klinger, Ronan também ganhou negócios sem licitação ou driblando concorrências nas áreas de limpeza pública e construção. Em 1993, antes de firmar sua presença como aliado do PT em Santo André, Ronan fechou acordo com Paulo Maluf e assinou compromisso para reduzir a tarifa de ônibus, rompendo com o sistema de municipalização dos transportes de Luiza Erundina, então no PT.
    Ronan firmou manifesto afirmando que na gestão de Maluf os empresários de ônibus poderiam entrar "pela porta da frente", ao contrário da gestão do PT, quando tinham que "dialogar entrando pela porta dos fundos".

   

   

    Guarujá supera Praia Grande no ranking do litoral
    13/06/2002
    Guarujá supera Praia Grande no ranking do litoral
    FAUSTO SIQUEIRA
    DA AGÊNCIA FOLHA, EM SANTOS
    Uma redução de 33,4% na taxa de homicídios entre 2000 e 2001 retirou Praia Grande da primeira colocação entre as cidades mais violentas da Baixada Santista.
    Segundo a Fundação Seade, a liderança do ranking regional passou a ser ocupada pelo Guarujá, único município da Baixada onde os assassinatos aumentaram no período _a taxa passou de 60,72 para 62,12 homicídios por 100 mil habitantes. Em Praia Grande, a taxa caiu de 84,46 para 56,25 homicídios por 100 mil habitantes.
    O delegado regional da Baixada Santista, Alberto Corazza, afirma que a expansão das áreas de favela no distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá, dificulta a ação policial e é um obstáculo à redução dos índices de criminalidade na cidade.
    Em Vicente de Carvalho, na periferia do município, vivem quase 53% dos cerca de 270 mil moradores da cidade. "É muito complicado fazer policiamento lá, porque as favelas são labirintos, e há muitas casas construídas sobre palafitas", declarou Corazza.
    Ele disse que aguarda o envio, pela prefeitura, de um levantamento detalhado de cada favela do município, com base no qual pretende planejar ações. Segundo o delegado, devido à persistência dos índices de violência, Guarujá terá prioridade na distribuição de novos policiais que ingressarão após concurso de admissão.
    O prefeito do Guarujá, Maurici Mariano (PTB), informou, por intermédio da assessoria de imprensa, que mantém conversações com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) a fim de conseguir reforço para o policiamento local. Pelas contas da administração municipal, o total de homicídios caiu 40% entre janeiro de 2000 e janeiro de 2002. Nos últimos feriados de Natal e Ano Novo, quando a população alcança quase um milhão de pessoas, não ocorreram homicídios, e o registro de boletins de ocorrência diminuiu 23,6% em relação ao ano anterior.
    Praia Grande
    Dentre os 59 municípios paulistas com mais de 100 mil habitantes, Praia Grande teve a quarta maior redução na taxa de homicídios, atrás de Hortolândia (64,77%), Catanduva (45,12%) e Itapetininga (40,52%).
    A acentuada diminuição dos assassinatos em Praia Grande detectada pela Fundação Seade também aparece nas estatísticas da Secretaria Estadual da Segurança, embora os critérios de apuração sejam diferentes.
    A secretaria contabiliza os homicídios a partir do local da ocorrência. A Fundação Seade leva em conta o endereço da vítima. Além disso, para as cidades litorâneas, a secretaria inclui no cálculo da taxa a população flutuante. A Seade, somente a população fixa.
    Para o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PMDB), a cidade começou a perder o título de campeã regional da violência após a ampliação do contingente local da Polícia Militar, de 220 para 280 policiais, e da criação da Guarda Municipal, com outros 280 homens.
    O prefeito crê numa redução ainda maior da violência a partir do mês que vem, quando começará a funcionar uma central de monitoramento de câmeras de vídeo, operada pelas polícias estaduais e pela Guarda Municipal.
    Segundo o delegado Alberto Corazza, outras medidas também contribuíram para conter a violência. No ano passado, ele trocou o comando da Polícia Civil na cidade. Além disso, segundo afirmou, as ações contra o tráfico de drogas se intensificaram.
    Para Luiz Florêncio Ramos, presidente do Conselho de Segurança de Praia Grande, as reuniões mensais de moradores com delegados, promovidas nos bairros pela entidade, facilitaram a tarefa da polícia. "A comunidade começou a criar um vínculo de confiança com a polícia e está perdendo o medo de denunciar", afirmou.

   

   

    Usineiros de SP apoiaram PT nas eleições de 2000
    05/06/2002

    Usineiros de SP apoiaram PT nas eleições de 2000
    DA REDAÇÃO
    Usineiros de São Paulo fizeram campanha e apoiaram financeiramente candidatos a prefeito do PT que defendem o Proálcool nas eleições de 2000. Das 38 prefeituras que o partido conquistou no Estado em 2000, 24 eram de municípios produtores de cana-de-açúcar.
    Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a reativação do Proálcool já nas eleições de 1998, durante uma visita à Usina Santa Elisa, em Sertãozinho (SP).
    "Não há a menor dificuldade de relacionamento. O PT é o partido que tem avaliado melhor a potencialidade do álcool para as economias regionais", disse em 2000 o usineiro João Carlos de Figueiredo Ferraz, da Usina Jardest, de Jardinópolis (SP). Ferraz disse que o setor apoiou a eleição de Antonio Palocci em Ribeirão Preto. Palocci confirmou o apoio.
    Em Piracicaba, José Machado, outro defensor do Proálcool, recebeu o apoio de um pool de usineiros. Segundo o presidente da associação dos fornecedores de cana de Piracicaba, José Coral, "as pessoas se assustam, achando que o PT está defendendo os usineiros e os fornecedores de cana. Machado defende o município e os empregos, que é a principal bandeira dele e do PT".
    "Mantemos uma relação estreita com os empresários e com os trabalhadores", declarou Félix Sahão Júnior, reeleito prefeito em Catanduva com o apoio de usineiros. Sahão desenvolveu projetos em parceria para alfabetização de adultos nas usinas e aprovou lei permitindo a devolução do IPVA para o cidadão de Catanduva que comprasse carro a álcool.
    "Acho que, no interior, o PT está mais maduro, bem adulto, passou da fase infantil", disse Carmem de Paula Machado, diretora do grupo Virgolino de Oliveira, de Catanduva.

    O PODER ELEITORAL DOS USINEIROS
    09/09/2002

    O PODER ELEITORAL DOS USINEIROS
    1 - CRIAÇÃO DO IAA
    Na República Velha, os usineiros eram a principal força política do Nordeste. Com a ascensão de Getúlio Vargas em 1930, os governos estaduais perderam parte do poder para o governo federal _que, para compensar o setor, criou em 1933 o IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool), para fomentar a produção
    2 - PERDA DE PODER
    Até o final do governo de Juscelino Kubitschek, o IAA permaneceu subordinado ao presidente da República. Em 1960, a autarquia é transferida para a órbita do Ministério da Indústria e do Comércio, o que já sinalizava perda de poder político dos usineiros
    3 - CRIAÇÃO DO PROÁLCOOL
    Em 1975, o governo Geisel criou o Proálcool, que revitalizou a economia do Nordeste, mas começou a claudicar em 1981, no governo Figueiredo, e praticamente entrou em colapso em 1989, quando o aumento do preço do álcool levou muitos proprietários a converter os veículos para a gasolina
    4 - ESCÂNDALOS
    Nessa época, o IAA já estava reduzido a uma espécie de pronto-socorro das usinas, recuperando as empresas ameaçadas de falência e devolvendo-as a seus donos. Já sem poder regulatório, a autarquia se caracterizou por favorecer os usineiros com contratos lesivos ao Estado. Vários escândalos explodem
    CRONOLOGIA DAS CAMPANHAS PRESIDENCIAIS
    1989
    Em maio, o então governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, fecha acordo com 19 usineiros do Estado, favorecendo-os com a devolução do ICMS cobrado sobre a cana plantada (cerca de US$ 120 milhões). Na campanha presidencial, Collor é apoiado pelos usineiros. Após a posse, extingue o IAA
    1994
    Programa do PT prevê reforma agrária em terras de usineiros e de latifundiários com dívidas públicas. Lula chama usineiros alagoanos de "caloteiros". A maioria do setor apóia a candidatura de FHC (só a refinaria da Copersucar doa R$ 1 milhão à campanha). No governo, concede subsídios às usinas
    1996
    Em janeiro é criada a "Frente Parlamentar Sucro-Alcooleira", que defende retomada do Proálcool. Integrada por usineiros, ela conta também com José Machado (PT-SP), Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Fernando Gabeira (PV-RJ). Lula diz que FHC "se curva à bancada ruralista e perdoa o calote de usineiros"
    1998
    Usineiros do centro-sul condicionam doações a candidatos comprometidos com a revitalização do Proálcool. Usinas constroem creches, doam máquinas e ambulâncias a prefeituras a apóiam deputados de regiões canavieiras. Lula e Marta Suplicy visitam usinas e prometem apoiar o Proálcool
    2000
    Usineiros paulistas apóiam candidatos a prefeito do PT afinados com a defesa do Proálcool: 24 dos 38 prefeitos eleitos pelo PT no Estado estão em municípios canavieiros, como Antonio Palocci Filho (Ribeirão Preto), José Machado (Piracicaba), Félix Sahão (Catanduva) e Edson Antonio Silva (Araraquara)
    2002
    Lula e o coordenador do programa de governo do PT, Antonio Palocci Filho, reúnem-se com representantes do setor e prometem revitalizar o Proálcool. Enquanto isso, o governo FHC decreta medidas de apoio à comercialização do álcool combustível. Os programas de Lula e Serra mencionam o Proálcool