www.catanduvaemdia.com domingo, 11 de novembro de de 2.004
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Muncipal de Ensino Superior de Catanduva (fafica.br), Congregado Mariano.
Email: mariosaturno@uol.com.br.

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Eu na NASA, veja o convite, As fotos e a viagem. Publicado no MCT. Parabéns de Rio Preto.
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O placebo é necessário?

    Está crescendo o número de cientistas que pesquisam novas drogas para se combater o câncer que abominam a necessidade de se usar placebo para confirmar os resultados das drogas testadas.
    O placebo é uma pílula de algum material inerte que não prejudica nem beneficia o organismo, com o açúcar ou a farinha. Quando se testa algum medicamento, os pacientes voluntários tomam pílulas sem saber se é o medicamento ou o placebo. Também os aplicadores não podem saber quem toma remédio e quem toma placebo. Isso é feito para se eliminar o efeito da sugestão (“o poder da mente”) ou qualquer subjetividade da interpretação no tratamento. É conhecido como método duplo-cego.
    O uso do placebo traz um questionamento Ético, quando os pacientes que tomam placebo começam a morrer diante dos olhos dos pesquisadores. Foi o que aconteceu com os testes do AZT. O pesquisador desistiu da pesquisa e aplicou AZT também para os que tomavam placebo.
    Somente nos Estados Unidos, milhares de novas drogas são testados todos os anos para se averiguar não só a eficiência mas também a segurança do medicamento. E, depois de tantos testes, muitos médicos estão afirmando que fornecer placebo a pacientes com câncer avançado está moralmente errado.
    Segundo o Dr. Lawrence Baker da Universidade de Michigan, toda essa confusão e depressão causada no grupo de controle (que toma placebo) é desnecessária pois todas as drogas que estão no mercado e foram testadas contra placebo já haviam mostrado atividade suficiente para se evitar o placebo.
    Para se testar novas drogas contra o câncer, que retardam o crescimento do tumor, a Pfizer adota o procedimento de se abandonar o placebo para aqueles pacientes que tiveram um crescimento do tumor maior que 20%. É uma evolução mas ainda não suficiente no entender do pesquisador de Michigan.
    Diante da divergência existente entre os cientistas, a discussão deve sair do meio acadêmico e ganhar os ouvidos da sociedade que deveria ser ouvida, democraticamente, e escolher quais métodos científicos os cientistas que estão a seu serviço deveriam seguir.