www.catanduvaemdia.com domingo, 2 de agosto de de 2.004
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Muncipal de Ensino Superior de Catanduva (fafica.br), Congregado Mariano.
Email: mariosaturno@uol.com.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
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Eu na NASA, veja o convite, As fotos e a viagem. Publicado no MCT. Parabéns de Rio Preto.
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Meus Papers.

Os transgênicos são ótimos... Para quem?

    Apesar de ser favorável aos transgênicos, não pude deixar de ficar horrorizado com a revelação que milhões de pessoas no mundo consomem produtos transgênicos há anos, não apenas soja mas também mamão, melão e batata.
    Meu Deus! Sim, apelo a Deus, já que as autoridades, os agricultores e os cientistas não tiveram nenhuma Ética em nos revelar o que consumimos. Talvez caiba à Igreja clamar pela Ética no assunto.
    Quando analisamos uma nova tecnologia, como os transgênicos, devemos fazer nossas considerações, principalmente, do ponto de vista econômico, social e ambiental. E com critérios sérios, já que, por enquanto, a ciência não faz milagres... A Igreja agradece!
    É possível que em alguns anos não possamos dispensar essa tecnologia, porém, até que isso aconteça, devemos pensar, enquanto nação, se devemos ser pioneiros ou não.
    Por que? Uma pesquisa feita entre os britânicos, durante seis semanas, envolvendo 37 mil pessoas, concluiu-se que quanto mais informações se têm sobre os alimentos transgênicos mais eles são contra. Isso deve valer para o resto da Europa. A pesquisa foi conduzida pelo professor Malcolm Grant, responsável pelo GM Debate Board, e recebeu 500 mil libras do governo.
    Em maio último, a Monsanto suspendeu seu projeto de trigo transgênico, mesmo tendo gasto alguns milhões na pesquisa durante os últimos seis anos. A Monsanto avaliou que esta tecnologia representa vantagens para apenas um segmento dos produtores de trigo e o Japão, o principal comprador de produtos agrícolas americanos, já havia anunciado a intenção de não comprar trigo geneticamente modificado.
    Não vamos esquecer a vaca-louca e os ganhos representados pela ração feita com carcaça. Muitos estudos atestaram a segurança e viabilidade econômica disso. Só para lembrar, nos Estados Unidos, quem esteve na Europa naquele período está proibido de doar sangue. É o reconhecimento oficial do perigo.
    Com isso já podemos especular se é interessante para o Brasil “manchar” o gigantesco celeiro nacional ou então se devemos ser o principal fornecedor para aqueles que não querem transgênicos. Que falem os economistas.
    A própria Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) posicionou-se favorável aos alimentos transgênicos pois podem beneficiar os pobres. Mas esses ganhos não estão garantidos. Para a FAO, nem o setor privado nem o público têm investido o suficiente em culturas básicas como mandioca, sorgo, arroz, trigo e batata.
    A FAO observa que apenas seis países (África do Sul, Argentina, Brasil, Canadá, China e Estados Unidos), quatro culturas (milho, soja, canola e algodão) e duas características (resistência a insetos e a herbicidas) correspondem a 99% da área plantada com transgênico. Por enquanto é uma tecnologia que beneficia as grandes corporações. Milhões de dólares em jogo, né defensores?
    E de nada servem milhares de estudos que “provem” que os transgênicos são bons... Uma única pesquisa realizada na Grã-Bretanha durante três anos e publicada na revista Philosophical Transactions of Royal Society: Biological Scienes, a maior já realizada no mundo, mostrou que duas entre três plantações com sementes geneticamente modificadas apresentaram mais perigos para a fauna que os seus equivalentes convencionais.
    As duas plantações com problemas eram as de oleaginosas (colza) e de beterraba. A terceira plantação, de milho, ao contrário das outras, se mostrou mais benévola aos animais e as plantas do que nos plantios convencionais.
    A FAO não deixa de alertar que o uso dos transgênicos deve ser avaliado caso a caso. E ainda deixa claro que a falta de evidências sobre efeitos negativos não significa que sejam isentos de risco. Os cientistas concordam que não se sabe o suficiente sobre os efeitos em longo prazo.
    Entre as grandes preocupações envolvendo a segurança alimentar dos transgênicos, segundo a FAO, estão o risco de provocar alergias, a presença de substâncias tóxicas e uma possível transferência de genes para o organismo humano (cruz credo! Deus me livre!). Estudem mais um pouquinho!