www.catanduvaemdia.com domingo, 27 de junho de de 2.004
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Muncipal de Ensino Superior de Catanduva (fafica.br), Congregado Mariano.
Email: mariosaturno@uol.com.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.

Veja também a coluna Catanduva Em Dia clique aqui.

Eu na NASA, veja o convite, As fotos e a viagem. Publicado no MCT. Parabéns de Rio Preto.
Eu na internet.
Meus Papers.

Vaca louca e os transgênicos

    Será que a preocupação que alguns grupos politizados tem sobre os transgênicos não é um pouco exagerado? Se dermos crédito à história recente de outra “revolução” veremos que não, toda essa preocupação é útil para o nosso bem-estar.
    Vejamos o que podemos aprender com o mal da vaca louca. A moderna “engenharia” revolucionou o mercado ao inventar a ração feita com carcaças, entre elas as de carneiros. E isso foi muito bom e representou enormes ganhos, tanto na alimentação do gado quanto na redução dos custos.
    E a Europa prosperou, até que... A epidemia de encefalopatia espongiforme bovina (BSE) ou vaca louca começou. O primeiro caso foi detectado em 1986 no gado britânico. As vacas e bois foram contaminados depois de ingerir rações compostas por partes de carcaças de carneiros infectados por príons mutantes.
    O mal da vaca louca atingiu seu pior momento em 1993. Eram mais de mil casos identificados por semana. E quem foi culpado? O governo britânico é quem foi acusado de ter negligenciado o problema, demorar muito para sacrificar o gado contaminado e não ter alertado a população.
    O mal da vaca louca é uma doença degenerativa provocada pelo acúmulo de um príon no cérebro. O príon é uma pequena e resistente proteína que existe nos carneiros e no homem, mas sua função nesses organismos ainda não foi esclarecida. Essa proteína atinge o sistema nervoso central do gado adulto, é transmissível e progride lentamente. As células morrem, e o cérebro fica com aparência de esponja. O gado afetado apresenta perda de equilíbrio e enfurecimento. Por isso popularizou-se como “vaca louca”.
    A doença pode ocorrer também em humanos e em ovinos. Em ovinos, a doença chama-se “scrapie”. Em humanos, a doença é chamada Creutzfeldt-Jakob (CJD), em homenagem ao cientista que a descobriu na década de 20. Quando a BSE começou a afetar o gado britânico, houve casos de uma variante da doença de Creutzfeldt-Jakob (vCJD), que alguns cientistas associaram ao mal da vaca louca. Mais de 130 pessoas morreram vítimas da vCJD, a maioria na Grã-Bretanha.
    Nos seres humanos, os principais sintomas são mioclonia, contração muscular brusca e breve, e demência. A doença se desenvolve principalmente em pessoas com mais de 50 anos de idade. Não existe tratamento conhecido
    As vítimas teriam se contaminado por meio da ingestão de carne contaminada. Como a doença tem uma progressão lenta, levando até dez anos para a pessoa manifestar os sintomas, muitos acreditam que uma epidemia de vCJD ainda está por vir. Mas a ligação entre vCJD e consumo de carne contaminada não foi comprovada cientificamente.
    Em 1996, um novo surto de BSE ocorreu na Europa, afetando outros países. O mesmo ocorreu em 2000, com milhares de bovinos sendo sacrificados em praticamente toda a Europa e o Japão. Mas o problema sempre foi maior na Grã-Bretanha.
    O gado com BSE precisa ser sacrificado. Devido ao risco de transmissão da doença para seres humanos, produtos à base de carne ou leite de vaca precisariam ser evitados. Mas como ambas as doenças BSE e vCJD podem demorar até dez anos para se manifestarem, controlar uma possível epidemia torna-se um grande desafio para os governos.
    Até o momento, Nenhum caso do mal da vaca louca foi detectado no Brasil. Mas o país enfrentou uma briga comercial com o Canadá, em 2001, quando o país chegou a vetar a entrada de carne bovina brasileira. A suspensão foi mais tarde resolvida.
    Tudo isso nos mostra o quão grave é o problema da vaca louca e só porque o uso de carcaças para se fazer a ração não foi devidamente estudado. Contudo, já é o suficiente para nos fazer repensar o uso que estamos fazendo dos produtos transgênicos. Por mais que nos digam que esses produtos são inofensivos, não podemos esquecer que eram os mesmos pareceres dados anteriormente ao uso de carcaças.
    Cabe ao cidadão exigir de nossas autoridades maior rigor no controle e promover uma espera razoável para que se ponha no mercado de uma forma tão abrangente como já tem acontecido.