www.catanduvaemdia.com domingo, 20 de junho de de 2.004
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Muncipal de Ensino Superior de Catanduva (fafica.br), Congregado Mariano.
Email: mariosaturno@uol.com.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.

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Eu na NASA, veja o convite, As fotos e a viagem. Publicado no MCT. Parabéns de Rio Preto.
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Meus Papers.

Culpa da mãe (?)

    Não é preciso muita autocrítica para ver o quanto culpamos a mãe pelo comportamento dos maus filhos. Se tudo dá certo, nada fez além da obrigação, o que dá errado... É quase automático culpar a mãe. É uma característica da era pós-guerra. Até o autismo era culpa da mãe.
    Os pesquisadores ainda não sabem exatamente o que causa o autismo, uma condição em que as crianças não desenvolvem relacionamentos sociais comuns e ficam retraídos em seu próprio mundo. Algumas evidências mostram que o autismo está ligado a anormalidades na estrutura do cérebro e não à culpa de uma mãe fria ou que rejeitasse a criança.
    Esse mito se deve, provavelmente, à observação de crianças órfãs que desenvolvem um tipo de depressão caracterizada por grandes olhos sem expressão, face imóvel e uma cara imóvel extremamente triste.
    Acrescente à crença popular enraizada de que a mãe deve ser dedicada exclusivamente à "prole" 24 horas por dia, levando os pesquisadores do passado a culparem as mães por qualquer problema na criança. Até mesmo a esquizofrenia, uma doença mental grave que provoca comportamento estranho e perda de contato com a realidade, era culpa da mãe. Acreditavam que devia ser por causa da mãe dizer uma coisa e fazer outra. Hoje, não passa de um absurdo, sabemos que a esquizofrenia é causada por fatores genéticos e desbalanço químico no cérebro.
    Por muitos anos, os psiquiatras culpavam as mães pelos filhos homossexuais. Era devido à proximidade grande da mãe com o filho combinado com um pai distante e frio. Hoje, as pesquisas nos mostraram que os homossexuais vêm de todo tipo de famílias. E a mãe nada tem a ver com isso, se for um problema, claro.
    Assim também são considerados os casos de distúrbios de hiperatividade e compulsão (pobres mães, até essas desordens lhes eram atribuídas) têm provável origem biológica.
    Mas o mais intrigante, talvez até engraçado, por que os pais, isto é os homens, na maioria dos casos, não são culpados? Ficam ilesos, inocentes. Uns atribuem ao machismo. Outros explicam que a mulher carrega sobre si a responsabilidade de cuidar da criança, conseqüentemente também a culpa. E, dizem ainda, que a ligação da criança com a mãe tende substituir todas as outras, já que é a mãe quem fisicamente gerou a criança.
    É claro que a mãe tem grande influência sobre desenvolvimento da criança. Mas, os pesquisadores da Universidade de Massachusetts recentemente mostraram que o desenvolvimento das crianças é influenciado por fatores biológicos e ambientais. Desenvolvimento cada vez mais complexo, já que temos televisão, computador, videogames, etc.
    Seja como for, é preciso parar com esse péssimo hábito ocidental: achar o culpado! Responsabilizar alguém não resolve o problema e diante de um problema é preciso resolvê-lo. Diante dos problemas modernos é preciso que toda a família, toda a sociedade esteja atenta à educação de nossas crianças, continua valendo a máxima: colhe-se o que se planta, ou o que os outros plantaram.
    O que um faz interfere diretamente na vida alheia. Em nossa sociedade tecnológica não há espaço para ser neutro, indiferente, insensível. Participação, cooperação, camaradagem é a chave do sucesso de nossa existência. Você é quem sabe...