www.catanduvaemdia.com domingo, 6 de junho de de 2.004
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Muncipal de Ensino Superior de Catanduva (fafica.br), Congregado Mariano.
Email: mariosaturno@uol.com.br.

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Eu na NASA, veja o convite, As fotos e a viagem. Publicado no MCT. Parabéns de Rio Preto.
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Evolução ou criação

    Não pretendo desmerecer nenhuma religião, mesmo porque sou religioso, mas é preciso que a religião não ultrapasse seu limite e queira ensinar ciência baseado na Bíblia. Já observaram quantas religiões do passado já não existem mais? E quantas temos hoje: uma para cada gosto! Milhares de anos de religiosidade e, parece, Deus (ou qualquer um dos deuses de antão) não abençoou muito os seres humanos, já que até o século passado a mortalidade infantil era muito alta, sofria-se muitas dores, morria-se cedo por qualquer doença, mulheres morriam no parto, etc.
    Foi o advento da Ciência, através de vacinas, remédios, vitaminas, cirurgias, eletricidade, tratores, aquecedores, refrigeradores e tantos equipamentos da modernidade que promoveram a melhoria na saúde, a longevidade e, claro, a qualidade de vida. A Ciência é o nosso maior benfeitor. Nossa maior bênção.
    Por isso, a Religião deve conhecer seu lugar comum, seus limites. Não pode, nem deve concorrer com a Ciência. Se o fizer, já mostrou sua ignorância, sua ausência de Deus, já que estará combatendo o maior bem da humanidade.
    Há um grupo de pessoas, alguns cientistas entre eles, denominados criacionista, que defendem que Deus criou o mundo e os seres vivos em seis dias, há alguns milhares de anos, da forma como está no Gênesis. Rejeitam a Teoria da Evolução de Charles Darwin. Darwin propôs o princípio da seleção natural, ou a espécie adapta-se ou é extinta. Assim a evolução humana levou milhões de anos segundo essa teoria. A grande maioria dos cientista acreditam nisso. Baseiam-se na descoberta de fósseis, ossos de espécies que já não existem mais, como a descoberta de Lucy, um ancestral humano com características dos primatas. Lucy tinha os braços longos, as pernas curtas, dedos e feições semelhantes aos macacos.
    A anatomia comparativa mostra-nos que a estrutura de um braço humano é semelhante ao membro anterior de um rato e à asa do morcego. Ora, se houvesse um criador para cada espécie e se cada uma das três espécies não tivesse um ancestral comum, o morcego teria uma estrutura mecanicamente mais eficiente.
    Os criacionistas têm atuado nos Estados Unidos e estão conseguindo tirar do currículo escolar o evolucionismo. Os criacionistas já obtiveram sua grande vitória. Nos estados do Alabama, Texas e Nebraska, a evolução é ensinada como uma possibilidade. E tiraram do currículo do estado de Kansas a Teoria da Evolução e a Teoria do Big Bang, a principal explicação da formação do universo e, curiosamente, proposta por um padre católico, Georges Lemaitre.
    Essas duas teorias são fundamentais para a ciência moderna e as escolas que venham adotar regras semelhantes estarão formando pessoas incapacitadas para compreender e participar na solução dos problemas futuros.
    Essa atitude é equivalente ao queimar livros na idade média. Estão retornando a ciência ao século XVIII. Esse retrocesso tem respaldo popular e "democrático". Uma pesquisa da Fundação Nacional de Ciência mostrou que mais da metade dos norte-americanos não acreditam na evolução humana a partir de outros animais. Outra pesquisa publicada pela revista Nature em 2000 mostrou que um terço das crianças norte-americanas já não são ensinadas adequadamente. A pesquisa foi conduzida por Lawrence Lerner, professor da Universidade do Estado da Califórnia.
    A Teoria da Evolução ensina que a evolução ocorre com a extinção dos menos aptos a se adaptar ao meio. Pena que as extinções não sejam democráticas e só pegam os despreparados, como diria Cristo, que veja quem tem olhos...