www.catanduvaemdia.com domingo, 21 de março de de 2.004
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Muncipal de Ensino Superior de Catanduva (fafica.br), Congregado Mariano.
Email: mariosaturno@uol.com.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
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Eu na NASA, veja o convite, As fotos e a viagem. Publicado no MCT. Parabéns de Rio Preto.
Eu na internet.
Meus Papers.

Satélites Sino-Brasileiro

    Às vezes, acredito que os políticos e mesmo o povo se esqueçam que o Brasil é um país continental, é um gigante, adormecido, talvez, para os investimentos em Ciência e Tecnologia, que não serão desenvolvidos por outros países e muito menos repassados se forem de áreas estratégicas. E o que não é estratégico hoje em dia?
    E por ser continental, o Brasil necessita de satélites para fazer controle ambiental, navegação, localização de transportes, agricultura e planejamento urbano e regional. Não se pode esquecer dos satélites de telecomunicações para voz, dados e imagens, usados em telefonia, transmissões de televisão, internet e até interligando empresas para videoconferência. Mais importante ainda, na meteorologia, os satélites são usados na previsão do tempo. Podemos somar ainda o sensoriamento remoto, os sistemas de busca e salvamento, por exemplo, de navios ou aviões acidentados.
    Se para ser livre um país deve investir em tecnologias de ponta então o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) destaca-se entre as instituições que contribuem para a soberania e independência tecnológica do Brasil.
    Entre os vários projetos que o INPE desenvolveu está a parceria feita com a China e que resultou o CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite ou Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres). Este programa conjunto é a primeira grande cooperação tecnológica entre dois países em desenvolvimento. A parceria, iniciada em 1988, une dois países semelhantes em extensão territorial e riquezas naturais.
    O primeiro satélite CBERS foi lançado em 14 de outubro de 1999 e deixou de operar em agosto de 2003, depois de dois anos além do tempo de vida útil. Diariamente, o CBERS-1 gerou imagens e coletou dados ambientais dos territórios brasileiro e chinês.
    Neste programa, o INPE contribuiu para ampliar e modernizar o parque industrial nacional no setor aeroespacial e dos laboratórios e centros. Houve participação da indústria nacional (cerca de 40% do total gasto) em todos os subsistemas do satélite a cargo do Brasil.
    O CBERS-2 teve algumas melhorias feitas para melhorar o desempenho e a confiabilidade de vários equipamentos, entre os quais as câmeras imageadoras. O processamento das imagens em solo também está sendo aperfeiçoado.
    O lançamento do CBERS-2 foi um sucesso. O foguete Longa Marcha 4B cumpriu sua missão e colocou o satélite em órbita à 1:16 h de 21/10/2003.
    O CBERS-2 poderá ser utilizado para medir alterações florestais em parques, reservas, florestas nativas ou implantadas, quantificações de áreas e sinais de queimadas recentes; identificação e quantificação de plantações, monitoramento e previsão de safras; monitoramento de reservatórios; apoio a levantamentos de solos e geológicos; e até mesmo na Educação, com a geração de material em geografia e meio ambiente, entre outras.
    O mais interessante: SEM CUSTO para qualquer usuário brasileiro. Conforme proposto no último 27 de fevereiro pelo diretor do INPE, Luiz Carlos Miranda ao ministro Eduardo Campos, que considerou a idéia de grande importância também por promover a inclusão social e aproximar a sociedade do programa espacial. Assim, qualquer professor de escolas de ensino médio poderá fazer uso dessa imagens em suas aulas, por exemplo.
    Para os próximos satélites, os CBERS-3 e CBERS-4, um grande desafio tecnológico se coloca para o INPE e para a indústria nacional. O Brasil precisará desenvolver uma Câmera de Alta Resolução e as metodologias para o processamento das imagens captadas no espaço. O custo dos satélites é da ordem de 150 milhões de dólares, metade a ser gasto pelo Brasil.
    Esta missão será gerenciada por Jânio Kono, que é o mais experiente cientista, ou melhor, tecnologista na ativa e uma excelente equipe está sendo formada. O INPE está fazendo sua parte. Espera-se que a sociedade reconheça sua importância e eleja como prioridade.