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Satélites Sino-Brasileiro
Às vezes, acredito que os políticos e mesmo o povo se esqueçam que o Brasil é um país continental, é um gigante, adormecido, talvez, para os investimentos em Ciência e Tecnologia, que não serão desenvolvidos por outros países e muito menos repassados se forem de áreas estratégicas. E o que não é estratégico hoje em dia?
E por ser continental, o Brasil necessita de satélites para fazer controle ambiental, navegação, localização de transportes, agricultura e planejamento urbano e regional. Não se pode esquecer dos satélites de telecomunicações para voz, dados e imagens, usados em telefonia, transmissões de televisão, internet e até interligando empresas para videoconferência. Mais importante ainda, na meteorologia, os satélites são usados na previsão do tempo. Podemos somar ainda o sensoriamento remoto, os sistemas de busca e salvamento, por exemplo, de navios ou aviões acidentados.
Se para ser livre um país deve investir em tecnologias de ponta então o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) destaca-se entre as instituições que contribuem para a soberania e independência tecnológica do Brasil.
Entre os vários projetos que o INPE desenvolveu está a parceria feita com a China e que resultou o CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite ou Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres). Este programa conjunto é a primeira grande cooperação tecnológica entre dois países em desenvolvimento. A parceria, iniciada em 1988, une dois países semelhantes em extensão territorial e riquezas naturais.
O primeiro satélite CBERS foi lançado em 14 de outubro de 1999 e deixou de operar em agosto de 2003, depois de dois anos além do tempo de vida útil. Diariamente, o CBERS-1 gerou imagens e coletou dados ambientais dos territórios brasileiro e chinês.
Neste programa, o INPE contribuiu para ampliar e modernizar o parque industrial nacional no setor aeroespacial e dos laboratórios e centros. Houve participação da indústria nacional (cerca de 40% do total gasto) em todos os subsistemas do satélite a cargo do Brasil.
O CBERS-2 teve algumas melhorias feitas para melhorar o desempenho e a confiabilidade de vários equipamentos, entre os quais as câmeras imageadoras. O processamento das imagens em solo também está sendo aperfeiçoado.
O lançamento do CBERS-2 foi um sucesso. O foguete Longa Marcha 4B cumpriu sua missão e colocou o satélite em órbita à 1:16 h de 21/10/2003.
O CBERS-2 poderá ser utilizado para medir alterações florestais em parques, reservas, florestas nativas ou implantadas, quantificações de áreas e sinais de queimadas recentes; identificação e quantificação de plantações, monitoramento e previsão de safras; monitoramento de reservatórios; apoio a levantamentos de solos e geológicos; e até mesmo na Educação, com a geração de material em geografia e meio ambiente, entre outras.
O mais interessante: SEM CUSTO para qualquer usuário brasileiro. Conforme proposto no último 27 de fevereiro pelo diretor do INPE, Luiz Carlos Miranda ao ministro Eduardo Campos, que considerou a idéia de grande importância também por promover a inclusão social e aproximar a sociedade do programa espacial. Assim, qualquer professor de escolas de ensino médio poderá fazer uso dessa imagens em suas aulas, por exemplo.
Para os próximos satélites, os CBERS-3 e CBERS-4, um grande desafio tecnológico se coloca para o INPE e para a indústria nacional. O Brasil precisará desenvolver uma Câmera de Alta Resolução e as metodologias para o processamento das imagens captadas no espaço. O custo dos satélites é da ordem de 150 milhões de dólares, metade a ser gasto pelo Brasil.
Esta missão será gerenciada por Jânio Kono, que é o mais experiente cientista, ou melhor, tecnologista na ativa e uma excelente equipe está sendo formada. O INPE está fazendo sua parte. Espera-se que a sociedade reconheça sua importância e eleja como prioridade.
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