www.catanduvaemdia.com domingo, 25 de janeiro de de 2.004
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Muncipal de Ensino Superior de Catanduva (fafica.br), Congregado Mariano.
Email: mariosaturno@uol.com.br.

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O vôo dos pássaros

    Mário Eugênio Saturno
    Uma das ciências mais fantásticas é a Paleontologia. Nos últimos anos aconteceram tantas descobertas que somente os documentários e revistas específicos nos colocam a par. E essas descobertas são de impressionar até o meu antigo professor Pascoal Turato.
    Observando o Ribeirão São Domingos, vemos que no fundo formam-se sedimentos, necessitando-se constantes dragagens. Esse processo já havia sido observado no delta do Rio Nilo por Tales de Mileto, por volta do ano 600 A.C.. As camadas mais recentes depositam-se sobre as mais antigas. Isso ocorre no mar, nos vales, por toda a Terra. Assim, basta escavar áreas de sedimentação para observar o passado.
    E o que descobrimos? Nas camadas superiores, espécies que convivem conosco hoje em dia. Conforme se vai aprofundando, espécies aparecem e desaparecem, mostrando-nos a evolução anunciada por Charles Darwin em 1.859.
    Sabemos que há 350 milhões de anos todos os continentes fundiram-se em um único, a Pangéia, formando o supercontinente que se tornou um grande deserto que extinguiu quase toda a vida, especialmente os primeiros mamíferos, dando oportunidade para que os répteis dominassem a Terra. Foi a era dos dinossauros. Mas, há 65 milhões de anos, um meteoro eliminou 70% de toda a vida na Terra. Reapareceram os mamíferos, que hoje dominam o planeta.
    Entre todos os animais, nenhum é mais inspirador dos sonhos humanos do que as aves. Elas voam! E são versáteis: voam até 280 km/h, atingem 9.000 metros de altitude, mergulham no mar até um metro, migram até 30.000 km.
    Em 1861, na Alemanha, foi descoberto o primeiro fóssil de pássaro, o arqueoptérix. Tinha grande semelhança com as aves atuais porém tinha uma longa cauda ossuda, três garras nas pontas de cada asa e uma mandíbula proeminente com dentes pontudos. Era capaz apenas de pequenos vôos planados. Viveu há 150 milhões de anos, junto com os pterossauros, os répteis voadores.
    Outros três fósseis foram encontrados na Espanha. Em 1.985, o primeiro, o Iberomesórdis tinha o tamanho de um pardal, a pélvis e a perna eram semelhante aos dinossauros, mas já estava equipado para agarrar-se aos galhos das árvores. Em 1.991, descobriram Concórnes, do tamanho de um sabiá. E, em 1.995, descobriram o Eualolábis, também pequeno.
    Essas aves tinham uma vantagem sobre o arqueoptérix: voavam por seus próprios músculos. Esses três fósseis são as provas de que as aves percorreram um longo caminho desde o arqueoptérix. Os dois primeiros fósseis apresentam características modernas: cauda mais curta para dar maior mobilidade e ossos peitorais desenvolvidos para fixar melhor os músculos responsáveis pelo vôo. Mas foi a descoberta do terceiro fóssil, o Eualolábis, que mostrou com clareza a solução da natureza para o sucesso dessa nova espécie: penas!
    No cretáceo, outras aves que não voavam também foram descobertas: o auvaessauro, corredor, que tinha uma cauda de dinossauro; o patagoptérix que tinha patas traseiras grossas e asas atrofiadas; o neuquenórdis com dentes e garras afiadas para agarrar as vítimas. Todos esses pássaros apresentavam características dos dinossauros.
    Hoje sabemos que junto com os dinossauros, na terra, ou melhor, no céu havia muitos pássaros. Após o grande desastre que destruiu os dinossauros, no final do cretáceo, os pássaros prosperaram, principalmente depois do aparecimento das flores que, graças ao pólen, proliferaram os insetos, principal fonte de alimentos dos pássaros.