www.catanduvaemdia.com domingo, 26 de Outubro de de 2.003
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Pesquisador convidado da NASA (National Aeronautics and Space Administration) para o projeto AQUA, Professor da FAFICA, coordenador diocesano das Congregações Marianas.
Email: saturno@dss.inpe.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.

Ódio e perdão

    Você certamente já leu no Novo Testamento que Jesus ordena que não odeie ninguém e que perdoe sempre, certo? Porém agora veremos o que a ciência descobriu sobre esses dois assuntos: ódio e perdão.
    A pesquisadora Janice Williams, da Universidade da Carolina do Norte (EUA) conduziu uma pesquisa que descobriu que as pessoas que têm uma grande tendência a ficar com raiva apresentam o risco de ter um ataque cardíaco em quase três vezes maior que os mais calmos.
    O estudo foi feito com cerca de treze mil adultos, acompanhados por seis anos. Todos foram entrevistados antes que tivessem ataques cardíacos, descartando possível raiva gerada pelo ataque.
    A pesquisa graduou as pessoas em relação à disposição para a raiva em baixa, média e alta. Entre aqueles que tiveram um ataque cardíaco ou morreram por alguma doença do coração, a relação entre aqueles que têm uma alta tendência é de 2,69 vezes maior sobre os de baixa.
    Assim, sentir freqüentemente raiva é tão ruim para o coração quanto ter outros fatores de risco como pressão alta, colesterol alto, fumar e estar gordo.
    Já um estudo liderado por Kathleen Lawler da Universidade do Tennessee (EUA) mostrou, pela primeira vez, que a pressão alta pode baixar quando a pessoa perdoa. Complementando a pesquisa anterior.
    Essa pesquisa foi feita com 107 universitários. O objetivo era medir, quando eles fossem profundamente magoados, sintomas físicos, como a pressão do sangue, batimento cardíaco, tensão muscular e suor. Confrontando os sintomas com os níveis de perdão dado.
    Os pesquisadores descobriram que perdoar aliviava os sintomas físicos. Um dado curioso é que os homens perdoam mais facilmente que as mulheres. Por isso as mulheres sentem mais ansiedade e têm pressão alta, em caso de mágoa.
    Tal qual Jesus, que ordenou que seus seguidores perdoassem, os cientistas também acreditam que o perdão é uma decisão e aconselham o que fazer para perdoar.
    Em primeiro lugar, deixe-se sentir toda a raiva e dor, não reprima as emoções. Depois, tenha o propósito de perdoar, é uma escolha pessoal. Finalmente, separe a pessoa do que ela fez. Perdoar não significa que a pessoa não pague por seus erros.
    Para a ciência, como para a religião, o ressentimento é um veneno que acaba atingindo a si próprio. E para viver bem, é preciso eliminar todo sentimento de ódio.