www.catanduvaemdia.com domingo, 10 de agosto de 2.003
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Pesquisador convidado da NASA (National Aeronautics and Space Administration) para o projeto AQUA, Professor da FAFICA, coordenador diocesano das Congregações Marianas.
Email: saturno@dss.inpe.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.

Especial: Dia dos Pais

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Pais divididos, filhos em perigo

    O ser humano é um ser social, mas nem por isso consegue conviver sem problemas, e resolver esses problemas é difícil. Talvez o maior gerador de conflitos sociais seja a família, o casamento (ou ajuntamento, também). Por outro lado, pode ser também a maior expressão humana da união, do amor, da realização, da felicidade.
    De fato, nascemos programados para nos preservar a nossa espécie e o que fazemos para isso é recompensado com prazer e felicidade. Assim, somos propensos à grandes paixões, capazes de durar a vida toda, e de desenvolver um grande amor. É impossível disfarçar, nossas pupilas dilatam-se ao vermos quem amamos ou desejamos a companhia. Diante de tantas sensações agradáveis, custa crer que os que se amam mudem a ponto de ter divergências intransponíveis.
    É o que acontece! Os pais, às vezes diferem sobre a disciplina e sobre os trabalhos escolares. Porém, quando o pai e a mãe não concordam com um tratamento médico da criança, as conseqüências podem ser críticas.
    Porém, quando as diferenças nascem de convicções pessoais ou religiosas, a medicação ou cirurgia das crianças são da maior importância, um consenso deve ser encontrado. De outra forma, as crianças que sofrem alguma enfermidade, desde hiperatividade até câncer, sofrerão e sofrerão ainda mais, uma vez que precisam de apoio e estabilidade emocional. Em geral, o divórcio acirra ainda mais as divergências e o compromisso com a saúde da criança. Incrível! Egoísta!
    Alguns pais conseguem manter o interesse da criança e resolver suas diferenças. Mas quando a intransigência é insuperável, a criança precisa ser “adotada”. Assim, médicos, enfermeiras, assistentes sociais, capelães, e conselhos de ética precisam estar certos que as necessidades da criança doente foram atendidas.
    Nos Estados Unidos da América, os hospitais entram cedo em contato com as famílias para evitar discordâncias prolongadas que possam retardar ou prejudicar o tratamento da criança. As famílias dividem-se mais comumente quando o tratamento é para problemas de comportamento ou neurológico, como hiperatividade, autismo e depressão. Muitos pais tendem a negar os problemas e questionar os médicos.
    O consenso torna-se difícil quando as diferenças são de origem religiosa. Um exemplo é o impedimento de transfusão de sangue dos Testemunhas de Jeová. Outra dificuldade de consenso está nos tratamentos de longo prazo, dolorosos e de resultado nem sempre bem sucedido. No limite da morte, um dos pais podem desejar experimentar um tratamento novo ou alternativo. E essa opinião deve ser respeitada.
    Quando a família permanece dividida e toda as negociações superadas, uma corte judicial pode resolve o dilema. Quando a justiça é rápida o suficiente, claro! O correto é não chegar a esse ponto, porém a intransigência pode não ser racional e a decisão externa isenta o outro cônjuge da culpa e, consequentemente, de mais tensão entre eles.
    O consenso, não só para o tratamento dos filhos, é conseguido se constantemente exercitado na “lei” do amor e do respeito. O amor, como o ódio, é cultivável e cresce com o tempo. Depois, colhe-se o que se planta! Quem semeia vento, colhe tempestade! Quem semeia e cuida de sua árvore frutífera come um saboroso fruto (no bom sentido... em qualquer outro também). A sua felicidade e alegria pessoal depende mais de você do que do outro, portanto... Ame! E viva!


O que os pais podem fazer

    Que coisa fantástica é criar e educar bem os filhos enquanto a grande maioria fica à mercê da "sorte" social. Será que realmente o poder dos pais pode ser maior que o da sociedade, ou seja, que os (mal) amigos das crianças?
    Eu sempre acreditei que sim, desde os meus dez anos quando li meu primeiro livro sobre psicologia na Biblioteca Municipal. E, agora, pesquisadores da Universidade de Michigan identificaram o que os pais podem (e devem) fazer para influenciar o ajuste emocional e o sucesso acadêmico dos seus filhos.
    Os pesquisadores observaram que os pais que têm grandes expectativas nos seus filhos e gastam tempo com eles têm como resultado filhos mais bem sucedidos. Independente de raça, saúde e outros fatores. O simples fato dos pais acreditarem no sucesso escolar de seus filhos faz com que eles melhorem suas notas. É difícil ser otimistas e transmitir confiança?
    As crianças mais felizes, menos deprimidas e com os menores problemas de comportamento são os que têm com os pais um relacionamento afetuoso. Viu, machão? Abraçar seus filhos, dizer que os ama, que tem orgulho deles, só faz bem! Mude de atitude, panacão!
    Mudar de escola várias vezes por ano não faz bem para as crianças. Para as que mudaram de escola mais de uma vez no ano anterior à pesquisa, os pesquisadores constataram seis vezes mais problemas de comportamento do que naquelas que não mudaram de escola ou só mudaram uma vez. Ao que parece, a estabilidade (e permanência) do relacionamento é importante, seja com os colegas ou professores.
    A educação formal dos pais é muito importante, quanto mais escola os pais têm, melhor vão os filhos na escola, pelo menos em provas de matemática e língua. Portanto, vale a pena continuar a estudar e conseguir aquele diploma. Talvez os pais estudados tenham algo a mais para falar com seus filhos, além do futebol. Por outro lado, ter muitos filhos não é bom. Para cada filho a mais, pior é o resultado nos testes de língua. Quanto mais filhos, mais a atenção é dividida, maior o ciúme, menor a unidade.
    Os pais podem acompanhar o uso do tempo de seus filhos pois a média das crianças norte-americanas é passar 12 horas por semana assistindo televisão e apenas 1,3 horas lendo. Segundo os pesquisadores, para cada hora a mais gasta em leitura representa 0,5 ponto a mais nas provas, enquanto que para cada 5 horas a mais de TV representa 0,5 ponto a menos. Não só mande seus filhos lerem, leia você junto também. Se eles ainda não sabem ler, acostume-os a ouvi-lo lendo um livro. O exemplo, sabe como é...
    O casal ainda é a melhor maneira de criar um ambiente estável para os filhos. As crianças que têm o pai separado da mãe vão pior na escola e apresentam mais problemas emocionais do que aquelas que têm pai e mãe juntos. Antes do divórcio, considere as suas crianças. Aliás, metade delas é oriunda do seu cônjuge e que é amado muito pelas suas crianças. E como não amar (respeitar, desejar o bem, suportar, etc) a quem nossas crianças amam tanto?
    E por falar em presença paterna, uma pesquisa feita pela Universidade de Maryland, Estados Unidos, que estudou 855 crianças, verificou que a simples presença do pai na vida da criança faz com que essas crianças tenham uma melhor auto-estima e apresentam menor sinal de depressão que as crianças que não têm pai. Os pesquisadores não levaram em conta se o pai é um bom pai ou não. A pesquisa também não afirma que as mães que criam seus filhos sozinhas não cumpram bem essa função.
    Uma pesquisa realizada pelo Hospital Infantil da Filadélfia, Estados Unidos da América, constatou que a maior causa de ferimentos e mortes de crianças é devido a condutas perigosas. Um provável indutor é a televisão, de 216 programas infantis na televisão, quase metade deles apresentou pelo menos um mau exemplo para as crianças.
    Assim, vimos que o futuro de seus filhos depende, antes de qualquer outra coisa, muito de suas ações. Portanto, pense muito sobre o que você faz e fará por seus filhos.


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