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Especial: Saúde e alimentação
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O verdadeiro dilúvio
Conhecemos a história de Noé e sua Arca através do Gênesis da Bíblia. Noé construiu uma arca (um barco) em tempo para salvar sua família e outros animais de uma gigantesca enchente que cobriu a Terra, o dilúvio.
Porém, para os cientistas, essa história não é original, foi copiada de outra de origem babilônica. A história de Noé provavelmente foi incluído no Gênesis durante o domínio da Babilônia. Por volta do ano 2000 a.C., foi escrito nas tabuinhas de argila a história de Gilgamech, um antigo rei da Babilônia, que teria ouvido uma história similar do dilúvio de Noé.
Agora, os geológos marinhos Bill Ryan and Walt Pitman, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty em Nova Iorque, acreditam que a origem do mito de Noé surgiu no Mar Negro há mais de 7000 anos. Para eles, na última Idade do Gelo, o nível do mar baixou tanto (cerca de 120 m) que o Mar Negro (que fica entre o sudeste europeu e a Ásia menor) não passava de um lago de água doce. Quando a temperatura subiu, as geleiras começaram a derreter e o nível do mar subiu ano a ano. Até que, em um fatídico dia, onde se localiza o canal de Bósforo cedeu à pressão da água do mar Mediterrâneo inundando o local em uma questão de dias.
Uma vez que o próprio Mar Mediterrâneo era um vale que foi inundado pelo Atlântico há quatro milhões de anos, Ryan e Pitman intuíram que o dilúvio bíblico talvez fosse a formação de um mar. Surgiram como candidatos o Mar Vermelho, o Golfo Pérsico e o Mar Negro. Este último era o que reunia as condições geológicas para ser o local do “dilúvio”, os outros apresentavam canais muito largo ou muito profundo. Era preciso procurar muitas evidências.
Assim, em 1993, uma missão de pesquisa, de duas semanas, do Instituto Oceanográfico Shirshov da Rússia que procuraria traços de radiação do acidente com o reator de Chernobyl no Mar Negro tornou-se a grande oportunidade. Estavam equipados com um sonar, para mapear o fundo, e com um equipamento para perfurar o fundo por sucção, para coletar fósseis.
E as descobertas foram incríveis. O canal que liga o Mar Negro com o Mediterrâneo é raso o suficiente. Os sedimentos profundos (mais antigos) do Mar Negro possuem animais de água doce e os mais próximos da superfície contém animais de água salgada. E o mais intrigante, a transição foi abrupta, como era esperado.
E mais, a camada mais profunda assemelha-se ao depósito do delta de um grande rio, ou seja, esparramado de forma delgada sobre águas rasas, erodida por ondas e ventos. Sobre essas camadas, uma outra mais fina e uniforme foi encontrada por todo o Mar Negro comprovando que o mar encheu muito rapidamente, se não tivesse sido, haveria muitas camadas e não uma só.
Quando o Bósforo se rompeu, a água caiu com a força de uns duzentos Niágaras e o barulho podia ser ouvido há 100 Km de distância, inundando 100.000 Km2 de boas terras em poucos meses. Sem opção, a grande população que vivia na próspera região começou a fugir, transportando as famílias e o gado. Sem ter para onde ir, esparramaram-se pela Europa Central, difundindo pelo continente a agricultura que praticavam (esse processo levou alguns séculos). O dilúvio foi bom, de alguma forma, para a humanidade.
Para fazer a datação da inundação, eles se valeram dos caramujos marinhos da camada mais antiga e o resultado encontrado foi de 7000 anos. Porém, um novo problema surgiu: entre o dilúvio e seu primeiro relato escrito, passaram-se três mil anos. Poderia uma história sobreviver oralmente por tanto tempo? Mesmo virando mito? Há quem não acredite nisso.
Há outros que acreditam na hipótese corrente: a mesopotâmia, berço da civilização humana, tem esse nome por estar entre (meso) dois rios (potamos), o Tigre e o Eufrates. Esses rios sofrem grandes enchentes, quando os dois enchem simultaneamente é uma catástrofe digna do nome de dilúvio.
Contudo, os fatos descobertos no Mar Negro abrem novos horizontes para transformar mais um mito em fato histórico comprovado. Tal qual Tróia, que não passava de um mito, o dilúvio mostra agora suas evidências de ter, de fato, existido.
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