www.catanduvaemdia.com domingo, 8 e 15 de junho de 2.003
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Pesquisador convidado da NASA (National Aeronautics and Space Administration) para o projeto AQUA, Professor da FAFICA, coordenador diocesano das Congregações Marianas.
Email: saturno@dss.inpe.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.

140 Jornais confirmados

    Já consegui confirmar 140 jornais que publicam, semanalmente ou eventualmente, meus artigos. Veja a relação abaixo.


Introdução: Entender Ciência

    Já publicado, clique aqui (www.catanduvaemdia.com/saturno20010513.htm)


Ceticismo da Ciência

    O cético não crê em explicações sem evidências reais e aceitas universalmente. Não aceita as “verdades” aceitas pelo “senso” comum. Tudo deve ter uma explicação razoável. Todos nascemos céticos. As crianças querem entender tudo, na idade do “por que” elas fazem das vidas dos pais (e de muitos professores) um inferno de perguntas. Nessa idade, não se conformam com o “porque sim”, são inconformadas. A inabilidade dos adultos aniquila a curiosidade e a criatividade infantil, tornando-as novos medíocres a povoar nossa sociedade.
    Porém, o ceticismo reaparece “miraculosamente” quando se vai comprar um carro (principalmente usado) ou outro produto. Não se acredita em tudo que o vendedor diz, pelo contrário, uma grande desconfiança aparece. É comum procurar-se outras lojas, outros vendedores, outros discursos. Isso é assim desde a Roma antiga. Sabemos que o barato sai caro. Pois, quando a esmola é grande, o santo desconfia. A despeito de tudo, você aceita que o vendedor tem motivos de sobra para dissimular a verdade. Nessa hora, ouve-se a experiência alheia dos que estiveram em situação semelhante.
    Porém, o ceticismo desaparece quando o assunto é astrologia, espíritos, demônios, aura, tarô, percepção extra-sensorial (telepatia, premonição), sorte (pé de coelho, ferradura, arruda), mau-olhado, bruxaria, “trabalhos”, pirâmides, cristais, numerologia, polígrafo, biorritmo, discos voadores.
    Alguns videntes do passado erraram quando colocaram datas. Edgar Cayce previu que Atlântica reapareceria na década de 60. Jeane Dixon previu que a Rússia poria o primeiro homem na Lua. As Testemunhas de Jeová previram o fim do mundo para 1917. O ano 2000 foi outro no calendário de alguns lunáticos.
    Se houvesse telepatia ou espíritos, os cientistas já os teriam descobertos. Basta olhar uma carta do baralho e pedir ao telepata ou médium que diga o que vemos. A probabilidade de acerto para cinco cartas é de um dividido por 52*51*50*49*48 ou uma chance em 311.875.200. Se um médium ou telepata acertar cinco cartas seguidas, então, está provada a existência de espíritos ou de telepatia. Acreditar sem esse ceticismo...
    Ademais, do que é feito o espírito e para que serve se o que somos está representado em uma “rede neuronial” nas células do nosso cérebro? Se não é matéria, será energia? Energia dissipa-se, então... Como o espírito age somente no ser, seu receptáculo, em células cerebrais, que são agentes químicos, mas não são registrados por nada mais? Occam já ensinou que entre duas hipóteses que expliquem igualmente bem, fique com a mais simples. Ilusão, loucura, miragem, vontade de aparecer ou ser especial são explicações mais simples.
    Os milagres e curas são outras falácias. Falsos pastores, benzedeiros, macumbeiros “curam” dores em joelhos, cabeça, úlceras, fadiga, febre, asma, paralisia ou cegueira histérica, falsa gestação. Toda a sorte de doenças psicogênicas. Nunca curam câncer ou lesão grave na espinha. Aliás, a cura espontânea do câncer é estimada em uma cura entre dez mil e cem mil doentes.
    Porém, o efeito placebo é verificado no câncer. Em um estudo realizado pela Universidade de Stanford, com 86 mulheres com câncer no seio que foram divididas em dois grupos. Um grupo recebeu apoio psiquiátrico, o outro não. O resultado foi surpreendente, o grupo que recebeu apoio sobreviveu 18 meses, em média, a mais que o outro grupo. Além de sofrer menos. Contudo, a morte foi inevitável.
    Como todos estamos sujeitos a ter alucinações e a ter “falsas memórias” (parecem reais quando na verdade não são), torna-se necessário uma boa dose de ceticismo para viver-se bem em um mundo cada vez mais tecnológico e menos humano.


Disco Voador, Espíritos e Demônios

    A humanidade sempre foi atormentada por seres sobrenaturais como fantasmas, gnomos, demônios, anjos, espíritos e, agora, seres do espaço. Todas as experiências são relatos pessoais e nunca há provas “materiais”.
    Descartando aquelas pessoas que buscam sua oportunidade de fama e fortuna, ser alguém especial ou abençoado, vemos que muita gente séria acredita que tenha passado por alguma experiência semelhante. Observe-se que a maioria das religiões tem em suas fileiras pessoas graduadas, como médicos e engenheiros.
    Povos de outras épocas ou regiões alegam experiências de conteúdo semelhante, porém mudam-se as “entidades”, o que sugere que o fenômeno é humano e não sobrenatural ou desconhecido.
    Em 1992, uma pesquisa realizada com 6000 norte-americanos adultos, 2% apresentaram os “sintomas” do rapto por Seres Espaciais (acordar paralisado, flutuar, perda inexplicável do tempo). Isso significa que se fôssemos levar a sério os relatos de rapto, seriamos obrigados a crer que estamos sofrendo uma invasão maciça, já que esses números nos levam a crer em um rapto por segundo nas últimas décadas.
    Desde 1894, em Londres, é realizado o Censo Internacional de Alucinações. Até hoje, observou-se que 25% das pessoas normais experimentou, pelo menos uma vez, uma alucinação vívida, como ouvir vozes, ver imagens onde nada há, sentir aromas, ouvir músicas, ou receber uma revelação independente dos sentidos.
    Quantos não ouvem seus pais mandando fazer os deveres, aconselhando, chamando para o almoço. Por que seria estranho que o cérebro de vez em quando relembre as tais vozes? Isso pode acontecer a qualquer um sob circunstâncias normais.
    As alucinações podem aparecer sob estresse emocional, ataques epiléticos, enxaqueca, febre alta, jejum, privação de sono, isolamento e drogas alucinógenas.
    Os sonhos estão associados a um estado chamado movimento rápido dos olhos (REM), sob as pálpebras os olhos movem-se. O estado REM está associado com a excitação sexual. Experiências foram aplicadas em pessoas que são acordadas assim que o estado REM surge, enquanto membros do grupo de controle são acordados no estado não-REM. Depois de alguns dias, o grupo de controle está um pouco grogue, porém o grupo experimental (impedidos de sonhar) está sofrendo alucinações. Portanto, todos estamos sujeitos a ter alucinações.
    Somado a isso, temos como “agravante” o medo terrível da morte, a certeza do fim é aterrador. Todos desejamos a certeza da vida após a morte, assim ver espíritos satisfaz nosso desejo mais íntimo. Outro aspecto é o racionalismo que buscamos explicar nossos fracassos e tristezas não como resultado de nossa preguiça, má vontade, ou erros, mas à má sorte, espíritos (baixos, já que nós sempre somos evoluídos, claro!), demônios. E também a sensação de poder, em um mundo em que nossa liberdade é extremamente restrita e a insignificância grande, por que não acreditar que somos capazes de fazer “trabalhos” que expulsam demônios, mau-olhados e má sorte? Ou então receber espíritos, guias, ler a sorte...
    E que mensagens nos trazem os “videntes”? Nenhuma que já não saibamos! Há trinta anos atrás, espíritos ou extra-terrestres poderiam nos alertar dos problemas que agora nos afligem ou então resolver algum problema matemático ainda insolúvel, já que são superiores, deveriam estar mais adiantados. Porém, na prática, só dão mensagens de acordo com a “cultura” do mensageiro. Como, em geral, são leigos...
    Para a ciência não existe coincidência, mas uma teoria desconhecida. Como todas as leis da natureza concorrem para o surgimento da vida e vida inteligente, não deve ser coincidência tudo isso ser obra do acaso, é necessário existir uma inteligência criadora, porém não como querem certos fanáticos.


Ouvir vozes

    Já publicado, clique aqui (www.catanduvaemdia.com/saturno20011104.htm)


Do Sputinik ao disco voador

    A ignorância é um fantasma que assombra a humanidade. Dela fazem os poetas o mundo ser fantástico, mágico, tão belo que o torna irreal. Tais poetas da religião e das pseudociências levam-nos ao comportamento dos apaixonados que ao verem suas musas exuberam um misto de incontrolável alegria e medo. Dominados assim rejeitamos explicações simples de fenômenos naturais. A emoção acima da razão. Crenças recentes, erros antigos.
    Até recentemente acreditava-se em casas mal-assombradas. Hoje, sabemos que a dilatação de materiais e ventos sobre tubos e chapas geram ruídos. Somente alguém leigo de Física ousa acreditar em fantasmas.
    No passado, vinham do céu demônios e anjos, agora é a vez seres do espaço exterior povoar a mente das pessoas que têm uma imaginação fértil. E tudo começou no dia 4 de outubro de 1957, ano em que o primeiro satélite artificial, o russo Sputinik, entrou em órbita terrestre. E todos olharam para o céu de um modo diferente.
    Como temos aproximadamente cem bilhões de galáxias e cada uma cem bilhões de estrelas, é grande a chance de existir vida inteligente por aí e como a nossa. Porém, astronomicamente distantes. Ora, os extraterrestres devem ter ciência e tecnologia que abreviem distâncias! É possível, daí a ter certeza, só sendo um bom crente...
    Se assim é, tais seres não precisam abduzir nem fazer experiências com seres humanos. O problema é que os abduzidos de até dez anos atrás não conheciam engenharia genética, clonagem, útero artificial... Mas não se preocupem, daqui alguns anos os alienígenas estarão utilizando tais técnicas, segundos seus videntes.
    Não nos esqueçamos que todos estamos sujeitos a ter alucinações. E mais até, estamos sujeitos a ter “falsas memórias”, que nos parecem reais quando na verdade não são. Terapeutas que tratam de abusos sexuais e abdução alienígena tem algo em comum: gastam meses encorajando as vítimas a lembrarem os abusos.
    Entre milhares de casos, chama a atenção o de um delegado de Nova York, honesto e religioso. Um certo dia, após uma reunião muito emotiva numa religião fundamentalista, uma de suas filhas “lembrou-se” de ser sido abusada pelo pai.
    Depois de algumas sessões com um psicoterapeuta, empregando hipnose, o infeliz delegado começou a lembrar-se de abusar da filhas. Sessões com as filhas e esposa acabou envolvendo diversos cidadãos honrados em orgias satânicas. Então, um pesquisador foi chamado para realizar experimentos controlados com a família. E tais absurdos foram esclarecidos, embora tarde para retirar o infeliz pai da cadeia.
    Outro caso, ocorrido na Pensilvânia, uma adolescente, encorajada pelo professor e assistente social, acusou seu pai de ter abusado sexualmente dela. Diante de um pesquisador sério, ela lembrou-se ainda de ter tido três filhos, mortos pelos pais e ter visto sua avó voar numa vassoura. Este pai foi mais afortunado, processou a clínica responsável e ganhou meio milhão de dólares.
    Sobre mais de 12.000 casos de abuso sexual envolvendo satanismo no FBI, nem um único mostrou-se consistente. Ou seja, não se deve confiar plenamente na memória nem em terapeutas amadores. E se abusos inexistentes são “lembrados” por pais e filhas, o que diremos dos que entram em contato com seres do espaço?
    Relatos pessoais não são prova. Povos diferentes têm alucinações semelhantes, sujeitas a diferenças de conteúdo cultural. Ou seja, é um fenômeno humano. E, o que é pior, desajustados emocionalmente tornam-se profetas (videntes) e guias.
    Não são os leigos que cometem enganos. No começo da década de 60, astrônomos soviéticos convocaram a imprensa em Moscou para anunciar o que seria a descoberta do século: a descoberta de uma fonte emissora poderosa de rádio em um distante objeto, chamado CTA-102, e que variava regularmente, como uma rádio-bússola. Até então, nenhuma fonte periódica havia sido observada no espaço. Queriam os russos ter descoberto uma poderosa civilização extraterrestre. Verificou-se que eles descobriram o “quasar” e só.
    Em 1967, cientistas ingleses descobriram uma fonte intensa de rádio que ligava e desligava com enorme precisão. Mais precavidos que os colegas russos, procuraram uma explicação menos fantástica, e haviam descoberto o “pulsar”.
    A vida é assim, não precisamos de sorte ou azar, de medos, racionalismos, espíritos, demônios, e videntes, precisamos sim de uma visão simples e livre de qualquer superstição.


Os videntes e a leitura fria

    Você já ficou surpreendido diante de uma cartomante? Ela nunca o viu antes e lá está ela revelando segredos de sua vida, muitas das quais nem os seus parentes mais próximos sabiam. Se não aconteceu com você, com certeza você conhece alguém próximo que já foi e afirmou algo semelhante. Ah, não era cartomante, era um médium que recebe entidades não terrestres! Ok, sem problema, a idéia, digo, a técnica é a mesma.
    Você ou o seu conhecido foi vítima de um truque dos mágicos, a pouca conhecida "leitura fria" (cold reading). E o que é isso? É uma maneira de se adquirir informações de uma pessoa sem recorrer a algum documento (o "quente"), como a carteira de identidade. Em suma é um modo de lhe arrancar seu suado dinheirinho. Mas, isso só ocorre com sua conivência, ou seja, seu desejo de acreditar. Isto é, sua grande ingenuidade.
    O vidente faz uma minuciosa observação da vítima e utiliza também conhecimentos estatístico e gerais da natureza humana. Como a pessoa se veste, sua postura, modo de falar, vocabulário, idade e status aparentes. Numa rápida olhada sabe-se muito sobre a personalidade e os problemas da vítima. Observem, os olhos mostram claramente a infelicidade ou o desespero de quem sofre. Aliás, já viram alguém sem problemas procurar qualquer tipo de adivinho?
    Viram como é fácil explorar essa profissão? Não? O conhecimento de probabilidade e estatística é fundamental para o sucesso. Saber que o nome da maioria dos homens começa com "J" e o das mulheres com "A" ou "M" ajuda. Afinal, quem não tem um parente ou amigo que comece com essas letras? Querem uma aula? Assistam ao filme "Fé demais não cheira bem" com o Steve Martin.
    O vidente começa a interagir com a vítima, fala o óbvio de um modo enigmático ou interrogativo e observa cuidadosamente a reação da pessoa (a quiromante leva grande vantagem já que sente a temperatura da mão bem como a pulsação): alguém a deixa muito infeliz... E a vítima prontamente responde: é meu filho! Eu vejo que você tem alguns problemas econômicos! E quem não tem? E mais, substitua o econômico por sexual, no trabalho, no seu casamento, com seus filhos, etc, e a afirmação continua valendo para todo mundo. Afinal, quem não tem problemas?
    Assim, o grande observador começa falando sobre generalidades e com um pouco de conversa já está adivinhando detalhes íntimos da pessoa-vítima. Na verdade é a vítima quem está revelando tudo, o vidente apenas traduz a linguagem corporal para a falada (em um português nem sempre claro). Isso é feito com frases gerais (tentativas) que de acordo com o resultado se tornam mais e mais específicas, isso é conhecido como realimentação. Parece também, um modo mais sofisticado, com aquela brincadeira de criança quente-frio.
    Mas, sem dúvida, o maior aliado do vidente é a memória seletiva, ou seja, nossa memória esquece os fatos insignificantes e se lembra dos significativos. Isso nos diz que o vidente pode arriscar à vontade já que a vítima esquecerá prontamente seus prognósticos errados.
    Em um experimento, conduzido pelo desmascarador de fraudes James Randi, filmou-se um “médium” em ação. Ao final, convidou algumas das pessoas para assistirem ao vídeo. Afirmavam que o picareta havia acertado quase todas as adivinhações, não puderam acreditar no que o vídeo mostrava: apenas uma em cada catorze estava correta. Eles simplesmente esqueceram. A memória deles (a nossa também) foi capaz de esquecer treze erros para cada acerto.
    Portanto, meu crédulo leitor, antes de sair por aí se gabando de ter encontrado alguém com poderes paranormais, pense bem, você pode estar assinando o seu atestado de ingenuidade! Mas, não se preocupe, muitos desses médiuns, astrólogos, adivinhos, etc, estão em uma situação muito pior: eles não são desonestos, eles acreditam ter esse poder...


Como ser um vidente

    Já que uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostra que a crença em fenômenos paranormais (astrologia, discos voadores, videntes, curas, fantasmas, etc.) está maior do que nunca, este artigo destina-se a orientar aqueles que desejam explorar o novo campo promissor (ou a evitar os espertalhões). Agora, se você crê que não é um otário e conhece alguém com poderes desconhecidos, encaminhe-o ao Comitê Nacional dos Céticos Australianos e ganhe $100.000,00.
    Os especialistas paranormais nada mais fazem do que leitura fria. Com um pouco de treino e perseverança, você também pode ter esse "dom". E impressionar amigos. Se o seu senso de ética for pequeno, então pode ser uma fonte de renda.
    O grande segredo do sucesso é a confiança. Se você mostrar que acredita no que está fazendo, as pessoas começarão acreditar nas suas adivinhações. O problema é se você começar a crer que é um paranormal de verdade...
    Estude as pesquisas de opinião e estatísticas, elas são uma boa fonte de informação: como as pessoas de certas características provavelmente votam, quais são suas preocupações, seus desejos. Os jornais sempre fornecem essas pesquisas, só é preciso estar atento.
    Seja modesto sobre sua capacidade de adivinhar, isso desarma os ânimos. Não faça adversários atentos em desmascará-lo, antes, seja muito humilde. Procure ler a crença do sujeito em você, acredite, com o tempo ficará craque.
    É muito importante conquistar a cooperação da platéia. Enfatize a necessidade da colaboração. Isso desmonta o ceticismo, abrindo caminho para uma apresentação repleta de sucesso. Alerte para o problema da comunicação, ou seja, nem sempre você conseguirá expressar em palavras o que "sente".
    Utilize algum auxílio, como cartas, bola de cristal, leitura de mão etc. Isso cria um ambiente propício e dá tempo para formular sua próxima questão ou adivinhação.
    Tenha um estoque de frases prontas que você deve usar durante a exibição. Procure em manuais de quiromancia, tarô, e correlatos. Comprei um livro no "R$ 1,99", viu como é fácil?
    Mantenha-se atento, observe o que a pessoa está vestindo, suas jóias, modos e a fala. Mesmo uma leitura ruim pode fornecer a base de uma boa adivinhação. Muita atenção para a reação aos seus comentários. Rapidamente perceberá quando está ficando "quente".
    Faça uma pescaria, deixe a pessoa falar de si própria. Faça uma afirmação na forma de pergunta, depois da reação reformule a frase como uma afirmação. Mais tarde, a pessoa esquecerá que ela mesma foi a fonte de informação. Fazendo perguntas gerais, fará o sujeito procurar na memória até encaixar o que você está dizendo.
    Lembre-se que quem procura adivinhos deseja ouvir sobre seus problemas. Basta estar atento e o peixinho vai soltando tudo o que ele quer ouvir de você.
    Deve-se fazer um grande drama, um bom teatro para impressionar o sujeito e sempre falar pausadamente. Também se deve dar a impressão que sabe mais do que falou, o suspense ajuda muito. Depois, ao acreditar que você já sabe tudo, você tornar-se-á um confidente.
    E, para terminar, adule o sujeito em toda oportunidade que aparecer. Todos gostam de ser admirados, elogiados, reforçados na crença de sua própria magnitude, não é verdade?. Já observou que estes testes de revista, qualquer qualidade que nos encaixe nós concordamos? Todos são um pouco generosos, às vezes, avarentos... Bem, diga sempre o que a pessoa deseja ouvir: sucesso garantido!
    Estas são as regras básicas utilizadas por médiuns, religiosos, astrólogos, tarólogos, quiromantes, telepatas, todo tipo de leitores da sorte. Você já foi vítima deles? Quem já foi, deve estar se sentindo um otário. Quem não foi, já sabe o suficiente para não ser. Porém, como inteligência não se compra na farmácia da esquina...


O extraordinário existe?

    Nosso desejo em acreditar no extraordinário é tão grande que nossa ingenuidade é exposta por pouca coisa. Para provar isso, o mágico James Randi montou um grupo de mágicos e os enviou para testar os cientistas do Laboratório MacDonald de Pesquisa Psíquica. Expôs-se uma incrível fragilidade dos cientistas.
    Durante três anos, Steve Banacheck enganou os cientistas sem grandes dificuldades. Você deve tê-lo visto no Fantástico há uns 20 anos dirigindo um carro de olhos vendados e movendo um rolinho com o "poder" da sua mente, lembra-se? Solicitaram a ele para tentar afetar a câmara de vídeo e ele fez, dois clarões apareceram, porém o que ele fez foi desligar e ligar a câmara rapidamente sem que ninguém visse. Se os mágicos enganaram os cientistas, que deveriam ser preparados, imaginem o que acontece conosco.
    Ian Rowland é especialista em repetir os feitos dos paranormais, como adivinhar um desenho que é oculto (é uma técnica de mágico), dobrar colheres (que não passa de ilusão de ótica, o modo de segurar a colher). Engana a todos sem exceção.
    Também há uns 20 anos, apareceu um psíquico chamado James Ridrick que tinha uma grande capacidade de mover objetos a distância, apareceu também no Fantástico. Coube ao mágico Danny Koren desmascará-lo: Ridrick apenas exalava um forte sopro sem demonstrar nos lábios ou nas faces.
    O professor de psicologia da Universidade de Oregon, Dr. Ray Haymond apresentou-se numa emissora de rádio como um adivinho e obteve nota dez. Utilizou apenas leitura fria. Somente conversando com os ouvintes por telefone.
    Por isso, como vimos em diversos artigos já publicados, você deve duvidar e desacreditar tudo o que se refere a: fantasmas, gnomos, demônios, anjos, espíritos, astrologia, aura, tarô, telepatia, premonição, videntes, sorte, pé de coelho, ferradura, arruda, mau-olhado, bruxaria, "trabalhos", pirâmides, cristais, numerologia, biorritmo e discos voadores. Tudo isso é improvável! É excelente apenas para a ficção.
    Lembre-se também que todos nós podemos ter alucinações. Elas podem aparecer sob estresse emocional, ataques epiléticos, enxaqueca, febre alta, jejum, privação de sono, isolamento e drogas alucinógenas. Algumas religiões utilizam-se de jejum e outras de chás especiais para entrar em contato com as entidades do "plano espiritual".
    Nunca, jamais acredite em relatos pessoais, não são prova! Se alguém alega ver ou ouvir entidades irreais, creia: esse infeliz está tendo alucinações. Isso é apenas um fenômeno humano, não espiritual. E, mais importante, não permita que um desajustado emocionalmente torne-se seu guia.
    Eu sei que o papo deles é bom: seu sofrimento é Carma (do sânscrito karmam, ações e conseqüências), é encosto de espírito baixo, é possessão demoníaca, é azar... É nada! Colhe-se o que se planta! E estamos sujeitos às probabilidades dos acidentes, nada mais. Trabalhe, seja simpático, humilde, paciente, perseverante... E verá como só lhe "encosta" sorte, anjo da guarda, Deus...
    Não acredite em milagres, se existissem, as pessoas religiosas viveriam muitos anos, suas crianças não morreriam aos montes, não haveria dor. E nós sabemos que foi graças ao desenvolvimento da ciência que esses males humanos estão desaparecendo. Entendeu: graças à Ciência! À Ciência! Ok?
    Então, comporte-se como um sábio, alguém de ciência. Procure pelas novidades no campo da psicologia, medicina e, mesmo, religião (séria e com gente bem estudada). Isso e somente isso o tornará uma pessa melhor e mais feliz. E abandone de vez tudo e todos que afirmam existir o extraordinário, o fantástico, a solução para todos os problemas. Esse tipo de coisa cria novos problemas e não resolve nada.


O efeito placebo

    O ser humano é um animal racional, mas a racionalidade tem um preço alto. A consciência da existência limitada, da dor, da morte, é terrível e dura. O medo da morte, principalmente, faz o nosso íntimo gritar: eu quero acreditar! E, assim, surgem os exploradores da fé pública: médiuns, astrólogos, adivinhos, quiromantes, pastores, macumbeiros, tarólogos. Todos dispostos a arrancar-lhe seu dinheiro. E muitos, otários, pagam a taxa da ilusão.
    Já vimos que a leitura fria é uma das técnicas que esses embusteiros usam para adivinhar. Veremos agora o mais grave problema: a cura. Quantos não ignoram a medicina para procurar um curandeiro, um xamã, um benzedor, um massagista, um erveiro, um milagreiro, um doutor Fritz? E quantos não acreditam nessa gente? Quem são as vítimas? Na grande maioria, crianças que morrem sem assistência médica decente!
    Mas, muitos juram que esses “abençoados” curam. Como é possível? Graças ao efeito placebo. O placebo é uma substância inerte usada para controlar um experimento, ele é dado aos pacientes, pertencente ao grupo de controle, como se fosse o próprio remédio que está sendo testado para provocar um efeito psicológico. Assim, os pacientes não sabem se estão recebendo o remédio ou o placebo, todos acreditam estar recebendo o remédio.
    Assim, se um homeopata garante que 60% dos seus pacientes que sofrem de asma são curados com uma planta específica, esse dado nada significa. Por que? Ora, se substituir a substância por placebo, sem que o doente saiba, os mesmos 60% poderão continuar a serem curados. Ou seja, uma pílula de farinha barata pode ser tão eficaz quanto uma planta cara. Além disso, sabemos que a farinha não tem efeito colateral, enquanto as drogas de plantas ou remédios geralmente têm!
    Por isso, não é qualquer sabichão que tem conhecimento e experiência para conduzir uma pesquisa séria, controlada e imparcial sobre uma nova forma de tratamento. Aliás, a maioria nem sabe o que é placebo, não sabe o que é matemática estatística, mas são rápidos para arrogar o número de seus curados.
    Não se sabe exatamente porque uma substância inerte pode ter um resultado na saúde de uma pessoa, mas sabemos que as crenças e esperanças de uma pessoa sobre um determinado tratamento aliado à sugestibilidade dela produzem um efeito bioquímico. Um pouco de fé não faz mal para ninguém, o problema é o excesso, a dependência.
    Acredita-se que o efeito placebo vicie os usuários de práticas não ortodoxas de medicina. Ou seja, os seguidores dos curandeiros tornam-se dependentes de seus remédios e seus rituais, necessitando cada vez mais. Isso talvez explique porque certos milagreiros que tomam 10% de seus fiéis e desviam para suas contas particulares continuem fazendo muito sucesso.
    Assim, não se deve acreditar em testemunhos de cura ou de melhora, eles não têm valor científico nem prático. Para que um medicamento ou tratamento ou remédio seja verificado deve ser feito com critério e com um grupo de controle (tomando placebo, sem saber, claro) para confirmar os resultados. Portanto, não desperdice o seu dinheiro nem o seu tempo precioso com práticas não confirmadas pela ciência.
    Nenhuma religião ou medicina alternativa reduziu a mortalidade infantil como a ciência, através das vacinas e dos remédios. Então, confie naquela que você tem visto promover progresso na humanidade!


Auto-sugestão

    Como já vimos em outra oportunidade, todos estamos sujeitos a ter alucinações. E mais até, estamos sujeitos a ter “falsas memórias” (parecem reais quando na verdade não são). As alucinações podem aparecer sob estresse emocional, ataques epiléticos, enxaqueca, febre alta, jejum, privação de sono, isolamento e drogas alucinógenas.
    Não são os olhos que vêem, mas o cérebro quem interpreta as informações que os olhos enviam. Sonhamos imagens porque o cérebro “enxerga” sem receber informações dos olhos. Assim como sonhamos sons, odores e sensações. A alucinação é como sonhar acordado, sem noção da realidade.
    A hipnose é um sono artificial provocado por sugestão em certas pessoas predispostas. A sugestão influencia uma idéia persistente sobre o comportamento, no caso o sono e as alucinações induzidas como imaginar estar em Paris ou estar falando francês. A hipnose, antes de ativar a memória, cria falsas memórias, isso porque os terapeutas que a emprega gastam meses encorajando as pessoas a lembrarem do que eles imaginam como escondido.
    A nossa mente é susceptível à influência externa, nossos comportamentos são aprendidos por imitação, condicionamento, aprendizado. Repetimos os comportamentos familiares e sociais inconscientemente. Por exemplo, a discriminação machista que é perpetuada na educação das crianças pela própria mulher. Somos o produto do nosso meio. A nossa história nos condena a repeti-la (se não fizermos autocrítica, repetiremos os erros de nossos pais, a quem tanto criticamos, não é?). Tanto é verdade que somos influenciáveis que as empresas investem muito dinheiro em propaganda: beba isso, fume aquilo, compre tal produto!
    A auto-sugestão é a influência de uma idéia que alguém exerce sobre si mesmo. A sugestão atua no subconsciente, incutindo na mente como agir em determinada situação. Frases curtas podem mudar nossa maneira de agir e sentir. Por exemplo, se uma pessoa repetir 25 vezes ao dia uma frase como “estou melhor a cada dia que passa” após um mês a frase torna-se lema no subconsciente fazendo a pessoa tomar ações que promovam o bem-estar próprio. Faça a experiência!
    A auto-sugestão pode ser utilizada em diversas situações: melhorar o humor, ter mais paciência, ser perseverante, suportar a dor e o sofrimento, estudar com gosto, trabalhar com afinco, emagrecer, dormir melhor etc. Basta elaborar a frase certa. E, também, atacar o problema certo. Por exemplo: não adianta auto-sugestionar-se com “melhore o desempenho sexual” ou “demore mais” pensando em agradar a esposa, talvez fosse melhor praticar a cortesia.
    Já observou que grande parte dos sofredores e deprimidos não participam da Igreja? Acham desculpas para ficar em casa, alimentam suas mentes com visões negativas, consideram-se “azarados”, abandonados por Deus, anseiam pela morte e, quando sobra tempo, cultivam o ódio e a maledicência.
    Ora, por que não tentam o oposto? Como ler São Paulo a Romanos 8,31 vinte vezes por hora? A oração não deixa de ser uma auto-sugestão (e poderosa). O tempo passa, os anos voam, se começar hoje (com “eu sou abençoado”) verá os resultados quando menos esperar.