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A ciência explica as dez pragas
Comemoramos todos os anos a Páscoa, cuja origem está na Páscoa Judia ou Pessah que é a comemoração da libertação do povo de Deus conduzido por Moisés. Para conseguir seu intento, Moisés lançou as dez pragas contra os egípcios: (1) água transformada em sangue, (2) rãs, (3) mosquitos, (4) moscas, (5) peste, (6) úlceras, (7) granizo, (8) gafanhoto, (9) trevas e (10) morte dos primogênitos.
Acredita-se que estes fatos fantásticos ocorreram em torno do ano 1250 antes de Cristo, mil anos depois da construção das grandes pirâmides (barbaridade!). Poucas evidências históricas existem. Seria demais esperar encontrar no Egito algum relato de tão grande derrota. Porém, recentemente foi encontrado um relato egípcio escrito mil anos após os eventos e bastante parecido com as dez pragas.
O epidemiologista (especialista em pragas) Dr. John S. Marr do Departamento de Saúde Pública da cidade de Nova York ficou interessado com as dez pragas e preocupado com a possibilidade de repetições em tempos modernos. Assim, associou-se com o Dr. Curtis Malloy para elucidar o enigma das dez pragas.
E começaram pela primeira praga: Moisés levantou a vara, feriu as águas que estavam no Rio, aos olhos do Faraó e toda a água se converteu em sangue. Os peixes do Rio morreram e a água poluiu (Ex 7, 20-21). Já tentaram explicar a cor vermelha do Rio como sendo resultado de sedimentos, outros propuseram até a maré vermelha, mas as algas vermelhas vivem no mar, não nas águas do Nilo.
Em 1997, um desastre ambiental deu a pista, nos rios dos Estados Unidos peixes morriam com chagas terríveis. A bióloga marinha Dra. JoAnn Birkholder da Universidade da Carolina do Norte identificou o responsável: a pistéria. Durante a reprodução, a pistéria secreta uma neurotoxina que atordoa os peixes e dissolve sua carne em vida. Assim, um calor excessivo desequilibra o Rio, uma variedade de pistéria vermelha se multiplica matando os peixes cujo sangue tinge o Rio Nilo.
A segunda praga: Eis que infestarei de rãs todo o teu território. O Rio ferverá de rãs e elas subirão e entrarão na tua casa (Ex 7,28). Porém, aqui encontramos um provável erro de tradução e interpretação, a rã, o animal que assim designamos, segundo o Dr. Richard Wassersug da Universidade de Dalhouise, não tem o comportamento descrito e também não se reproduz com a rapidez proposta na Bíblia. O mais provável é que o anuro descrito no Êxodo é algum espécime de sapo. Sem os peixes para se alimentar dos girinos, os batráquios se multiplicaram até não ter espaço em um rio já envenenado.
Sem os sapos, criou-se as condições para a terceira praga: fere o pó da terra e haverá mosquito em toda a terra do Egito (Ex 8,12). Naquela região havia cerca de cem espécies que poderiam ser designados por mosquito, mas com certeza não era o que conhecemos. Segundo o entomologista, Dr. Richard L. Brown, um provável inseto era o maruim, relacionado com a quinta praga e, além disso, o maruim é muito pequeno, a sua picada é dolorida e vive próximo de rios, o que livrou os judeus que estavam bem longe.
Então veio a quarta praga: eis que enviarei moscas contra ti, teu povo, teus servos, tuas casas (Ex 8,17). O professor de Harvard, Dr. Andrew Spielman analisou e concluiu que a candidata ideal que poderia reproduzir-se com rapidez é a mosca de estábulo.
A quinta praga: eis que a mão de Iahweh ferirá os rebanhos que estão nos campos, os cavalos, os jumentos , os camelos, os bois e as ovelhas, com uma peste muito grave (Ex 9,3). Como não existem muitas doenças que atacam todos os animais, a explicação deveria estar em dois vírus: a peste eqüina e a brutongue que se espalham pelo mesmo inseto: o maruim.
A sexta praga: Moisés lançou as cinzas para o ar e os homens e os animais ficaram cobertos de tumores que arrebentavam em úlceras. A explicação recaiu em uma bactéria que ataca homens e animais e pode ser transmitida pela mosca de estábulo: o morno. Novamente, os judeus escaparam por estar longe. Houve grande perda de estoque de carne.
A sétima praga: chuva de pedras (Ex 9,19). Em outubro de 1997 houve uma chuva de granizo em Israel e na Jordânia, ferindo 60 pessoas e atingiu até 1,20 m. Não incomum, mas fora de hora. Danificou as plantações.
A oitava praga: farei vir gafanhotos (Ex 10,4). Nada de extraordinário, assim como a nona praga: haja trevas sobre a terra do Egito (Ex 10,21). Por três dias uma tempestade de areia assolou o Egito. E o que sobrou do ataque dos gafanhotos e foi armazenado, ainda úmido, é coberto pela areia e apodrece.
Para solucionar a nona praga, a morte dos primogênitos (Ex 11,5), precisamos pensar um pouco. Imaginei que deveria haver algum ritual com os primogênitos. Quase acertei! As fezes dos gafanhotos contaminaram a comida. Um bolor produz uma micotoxina, muito tóxica. Para buscar o alimento no celeiro, os egípcios enviavam seus primogênitos. Os primogênitos, animais e homens, recebiam uma porção dupla de alimento, por azar, a dose mortal...
O estudo resumido aqui não quer dizer que tenha sido exatamente assim, porém explica e alerta-nos pois todas as condições para uma nova catástrofe estão aí pertinho de todos nós, hoje!
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