www.catanduvaemdia.com Domingo, 4 de novembro de 2.001
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor da FAFICA, coordenador diocesano das Congregações Marianas.
Email: saturno@dss.inpe.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.

Direto do Além

    Para lembrar o dia dos mortos, vamos conhecer um pouquinho de uma doença mental: a esquizofrenia. Muita gente que tem alucinações auditivas e visuais pensa que foi presenteado por Deus com um Dom, mas na verdade é apenas um doente. Leia logo abaixo: OUVIR VOZES.


Ouvir vozes

   
     Parece estranho, ao deparar-se com alguém que ouve vozes, ainda hoje acredita-se que o infeliz é um mensageiro de Deus, dos anjos, dos espíritos... Porém, não é nada disso, é apenas mais um caso de esquizofrenia, uma doença mental. Em certas culturas e círculos o doente torna-se um “profeta”, quando deveria estar em tratamento.
     Há algum tempo, o Pe. Quevedo entrevistou um possuído por Lúcifer. Perguntou-lhe se fora ele quem tentara Jesus e diante de uma resposta afirmativa começou a falar aramaico... O médium ficou calado, silente, mudo, mostrando que não incorporava ninguém, já que Jesus falava aramaico e a conversa de Jesus com o Diabo foi em aramaico e não em português. O médium é mais um louco a ter seguidores piores da cabeça do que ele.
     E, se não bastasse, tem esquizofrênico que mesmo tomando remédio continua a ouvir as vozes imaginárias. Porém, surgiu um novo tratamento, o uso de campo magnético em uma pequena área do cérebro responsável pela alucinação auditiva. O tratamento é chamado de estimulação magnética transcranial (TMS). Outros pesquisadores já haviam detectado a utilidade do uso do magnetismo para controlar a depressão. A pesquisa é conduzida pelo pesquisador Dr. Ralph Hoffman do Instituto Psiquiátrico de Yale
     Nem todo esquizofrênico ouve vozes, dos que ouvem, cerca de um quarto não conseguem resolver o problema tomando medicação. Dos pacientes em tratamento metade teve suas alucinações bastante reduzidas. Em um quarto pacientes as alucinações desapareceram. Esse efeito dura alguns dias.
     O TMS difere da terapia eletroconvulsiva (ECT). A ECT utiliza-se de pulsos elétricos que são aplicados no cérebro do paciente que é anestesiado porque o choque produz ataques. No TMS utiliza-se uma pequena bobina


eletromagnética para gerar o campo magnético que é colocada no couro cabeludo atrás da orelha esquerda onde, segundo a teoria, as alucinações auditivas são geradas.
     Há pouco efeito colateral no tratamento magnético, um pouco de dor de cabeça na maioria, mas ninguém sofreu alguma alteração na capacidade de entendimento da linguagem.
     Para validar o experimento houve um grupo de pacientes que eram tratados como se estivessem recebendo o campo magnético, para avaliar o “efeito placebo”. Entre os que recebiam o tratamento, foram avaliadas diferentes dosagens para determinar o melhor tratamento.
     Enquanto esse tipo de esquizofrenia tem mais um método para combater a doença, ainda teremos em abundância outro tipo talvez pior: a desilusão paranóica. Cerca de um terço dos esquizofrênicos sofrem dessa doença que faz o doente acreditar ser alvo de uma grande conspiração, dos “companheiros” por exemplo. E, o pior, são mais difíceis de tratar, já que não estão dispostos a tomar a medicação adequada.
     Nos Estados Unidos da América são cerca de dois milhões de esquizofrênicos. Se mantivermos as mesmas proporções teremos cerca de oitocentos para cada cem mil habitantes. Destes oitocentos, aproximadamente 250 são paranóicos. Muitos “religiosos” para tornar nossa cidade cheia de salvadores, cristos, pastores, médiuns, líderes de grupo, etc.
     Ao lermos o capítulo 24 de Mateus ficamos com a impressão que Cristo estudou Psiquiatria, o alerta ali contido é muito apropriado com a realidade das doenças mentais. Porém, os doentes “religiosos” não são tão perigosos quanto os doentes políticos. Você tem visto algum por aí? Eu tenho visto nos gabinetes políticos.