www.catanduvaemdia.com Domingo, 30 de setembro de 2.001
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor da FAFICA, coordenador diocesano das Congregações Marianas.
Email: saturno@dss.inpe.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.

Ensinar Ciência

   
    Desde tenra idade, tenho por hábito refletir sobre minha vida, o que fiz, o que deveria ter feito e o que fazer, sempre desejando melhorar. Sempre fui inconformado com o que há de ruim, lembro-me que desde que aprendi a ler folheava as revistas em busca de artigos de psicologia. O comportamento humano sempre me fascinou.
    Eu morava perto da biblioteca que ficava onde hoje é a FAFICA. Um dia eu a descobri. Tinha entre dez e onze anos. Marcou-me ser tão bem tratado pelas bibliotecárias. E logo solicitei um livro de Psicologia. Li o que me foi dado, quanto a entender... Na década de 70 acreditava-se no grande potencial do cérebro eletrônico, assim, meu segundo livro foi sobre computadores. Descobri como calcular com números romanos, o que eram números binários e lógica. A descoberta constante extrapolou meus problemas e eu queria entender o mundo. E para completar, junto à biblioteca estava Museu, com peças interessantes, especialmente da Revolução Constitucionalista.
    Eu estudava no Barão do Rio Branco, considerada a melhor escola da cidade, com uma banda vencedora. O moral era alto. Os professores respeitados. Ao começar o segundo grau, fui surpreendido ao ter como professores pessoas processadas pela ditadura. Quanto mais processos, mais admirados eram. Esses professores não eram visto como tal, mas como verdadeiros heróis! O que significavam aqueles processos: luta por democracia, justiça, direitos. Cresci em um ambiente rebelde, crítico, cético, que haviam lutas que valiam a pena arriscar-se. Para completar, no Barão haviam laboratórios onde os alunos viam e aprendiam e que testemunhei serem desativados.


    Biblioteca é conseqüência natural da evolução. O DNA é uma biblioteca. Se considerarmos um bit um dígito de informação, em um vírus encontraremos armazenados dez mil bits. equivalente a uma página de um livro, toda informação para infectar e reproduzir-se. Uma bactéria tem um milhão de bits ou cem páginas impressas. Uma ameba tem 400 milhões ou 80 livros de 500 páginas. O DNA do ser humano tem cinco bilhões de bits ou mil livros. Chegando no limite, a evolução criou o cérebro, que é capaz de armazenar dez trilhões de bits ou 20 milhões de livros. A seguir, criamos a escrita e as bibliotecas, a de Nova York tem o equivalente a cem trilhões de bits. Muito para ler, o segredo é escolher o que ler.
    O conhecimento cresce exponencialmente. Cada descoberta desencadeia novas outras. Por exemplo, a conquista do espaço começou a poucas décadas. Os EUA e, mais fortemente, a Rússia têm realizado experiências em órbita da Terra a gravidade zero. Uma descoberta inesperada: a ausência de gravidade afeta o tempo de vida dos mamíferos, isto é, prolonga a vida em torno de 20%. Isso se deve ao menor esforço para vencer a força da gravidade e à melhor oxigenação das células. Também a taxa de câncer foi 80% menor nos ratos em órbita que nos em terra, a taxa foi 90% menor para carcinoma linfático e leucemia.
    Podemos encontrar diversos exemplos nas mais variadas áreas. Se não resolvermos em 20 anos o problema energético e a poluição, teremos condenado o planeta a uma extinção geral. Portanto não meçamos esforços para melhorar a educação que gerará a nova safra de cientistas.