www.catanduvaemdia.com Domingo, 05 de agosto de 2.001
Ciência

Mário Eugênio Saturno

Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor da FAFICA, coordenador diocesano das Congregações Marianas.
Email: saturno@dss.inpe.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.


Diretamente de minha sala no INPE

   

    Andei bastante ocupado, como já expliquei em outra oportunidade, fui promovido para o Grupo de Sistemas Espaciais (Gerência) do INPE e estou trabalhando na especificação do computador de bordo do Satélite de Sensoriamento Remoto, que será o maior, mais complexo e mais caro satélite feito pelo Brasil. Com este satélite teremos um grande salto na qualidade de imagens por satélite e estudos climáticos e ecológicos (Amazônia). Porém, hoje, vamos voltar a ativa. Os curiosos que não viram ainda meu trabalho na NASA poderão ver lá em baixo.


Os 40 anos do INPE

   
    Em 03 de agosto de 1961, o Presidente Jânio Quadros assinava um decreto criando o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (conhecida como CNAE), subordinado ao Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), e que mais tarde deu origem ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
    Foi uma resposta à vontade de alguns brasileiros de fazer com que o País participasse da conquista do espaço iniciado nos anos 50. O Brasil começou a trilhar este caminho ao mesmo tempo em que as nações desenvolvidas lançavam os primeiros satélites artificiais da Terra.
    O programa de pesquisa executado nos laboratórios da CNAE, instalada em São José dos Campos - SP, onde hoje se encontra a sede principal do INPE, era o estudo das ciências espaciais e atmosféricas, incluindo o uso de foguetes lançados a partir da base da Barreira do Inferno, em Natal – RN.
    No dia 22 de abril de 1971, mediante a extinção da CNAE, foi criado oficialmente, o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), subordinado diretamente ao CNPq.
    Ao longo do tempo, foi incorporada a utilização de satélites meteorológicos, de comunicação e de observação da Terra, de acordo com as reais necessidades brasileiras. Com isto, foram implantados os projetos MESA, para recepção e interpretação de imagens de satélites meteorológicos, SERE, para utilização das técnicas de sensoriamento remoto por satélites e aeronaves para levantamento de recursos terrestres, e SACI, para aplicação de um satélite de comunicações geoestacionário para ampliar o sistema educacional do País.
    No final da década de 70, o Governo Federal criou a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB). O Instituto acrescentou à sua vocação o desenvolvimento da tecnologia espacial compatível com a experiência adquirida, durante duas décadas, na utilização de satélites estrangeiros.
    Um país continental como o Brasil, de imensas áreas pouco conhecidas e praticamente inabitadas, tem que desenvolver tecnologia espacial própria voltada a sua realidade e que leve à integração e ao conhecimento do seu território.


    No dia 15 de março de 1985 , foi criado o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), passando o INPE a integrá-lo na qualidade de órgão autônomo da Administração Direta, o que lhe conferiu maior autonomia administrativa e financeira.
    Durante a década de 80, o INPE implantou e passou a desenvolver programas que são hoje prioritários como: a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), o Programa Amazônia (AMZ) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).
    Nesse período, também, implantou o seu Laboratório de Integração e Testes (LIT), o único do Hemisfério Sul que desenvolve atividades altamente especializadas e fundamentais ao sucesso do Programa Espacial Brasileiro.
    A década de 90 foi marcada pelos primeiros resultados da MECB. Em 1993, foi colocado em órbita o primeiro satélite brasileiro, o SCD-1, demonstrando a capacidade brasileira no desenvolvimento e operação de sistemas espaciais. Em 1998, o SCD-2 foi também lançado com sucesso, operando com melhor desempenho do que o primeiro devido às inovações tecnológicas.
    O CBERS-1, Satélite Sino-brasileiro de recursos terrestres fruto da cooperação entre os governos Brasileiro e Chinês foi lançado pelo foguete chinês Longa Marcha - 4 da base de Taiyuan em 14 de outubro de 1999.
    O reconhecimento da capacidade do INPE no desenvolvimento de tecnologia espacial e também de aplicações, reflete-se na participação brasileira na construção da Estação Espacial Internacional (ISS), o maior empreendimento do mundo no setor, reunindo 16 países.
    Atualmente o INPE, apesar das dificuldades, em especial a falta de pesquisadores, desenvolve atividades que demonstram que a utilização da ciência e da tecnologia espacial, pode influir na qualidade de vida da população brasileira e no desenvolvimento do País.