www.catanduvaemdia.com Domingo, 18 de março de 2.001
Ciência

Mário Eugênio Saturno

* Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor da FAFICA, coordenador diocesano das Congregações Marianas, escreve também semanalmente no jornal Vale Paraibano (www.valeparaibano.com.br/pag02).
Email: saturno@dss.inpe.br.

As Forças INCULTAS de Catanduva não mandam nesse jornal,
aqui você lê Saturno SEM CENSURA.

Lembranças da NASA

    Devido ao grande interesse que surgiu com a minha volta à NASA, Agência Norte-Americana de Aeronáutica e Espaço, desta vez a convite deles, decidi disponibilizar algumas informações que responderão às perguntas mais comuns.

    Em novembro de 1992, estivemos trabalhando na NASA, localizada na Base de Edwards, deserto de Mojave, estado da Califórnia, próximo a Los Angeles.
    Lembram do acidente com o avião sem asas da abertura de "O homem de 6 milhões de dólares"? Aí está o avião.

    Nosso grande objetivo era acompanhar a preparação do lançamento do primeiro satélite brasileiro, o SCD-1
    O SCD-1 é um satélite de 1,45 m de altura por 1 de diâmetro, pesa 115 kg e é estabilizado por rotação como um pião que fica em pé enquanto gira (no lançamento era de 120 rpm e hoje caiu para 48 rpm).

    Nas fotos abaixo podemos ver o satélite desembalado na NASA e, posteriormente, acoplado no foguete Pegasus. Na foto, o gerente da Missão Espacial Brasileira, Eduardo Santana, examinando o SCD-1.

    Com exclusividade, os norte-americanos querendo homenagear um brasileiro, batizaram o foguete de Santos Dumont, porém não foi aceito pelos brasileiros que preferiram dar o nome de um militar.

    Após um investimento de 150 milhões de dólares no programa e treze anos depois, foi assinado o contrato com a empresa norte-americana Orbital Sciences Corporation (OSC), em 20/08/92, para o lançamento do SCD-1. A empresa era responsável pela construção do foguete Pegasus. Esse foguete inovou o modo de lançar satélites: carregando o foguete na asa de um avião B-52 (ou qualquer outro grande jato) e disparando-o a uma altura de 13 km. Desse modo, o Pegasus economiza um estágio do foguete. Porém, ainda não era totalmente confiável na época.
   

    Originalmente planejado para ser lançado por um foguete brasileiro, a nova situação gerou a necessidade de transportar o satélite até os Estados Unidos, resolvido pela Aeronáutica, e de ser desenvolvido um equipamento de testes portátil para acompanhar o satélite durante a campanha de lançamento. Esse equipamento foi projetado e construído rapidamente por uma equipe reduzida e a um custo ínfimo, se comparado com os importados pelo INPE. Ninguém acreditava no sucesso da equipe. Tive a honra de merecer a confiança da gerência do satélite para desenvolver esse equipamento.

    Continuarei esta história em uma próxima oportunidade. Quero aproveitar a oportunidade para convidá-lo a ler meus outros artigos e dos demais escritores e escrever suas críticas e sugestões. E não esqueça de nos indicar a um amigo. Grato!